O desaparecimento de uma mulher e de seus três filhos, que mobilizava familiares, autoridades e moradores do interior de São Paulo desde a última quinta-feira, teve um desfecho devastador na véspera de Natal. A confirmação dos crimes encerrou dias de angústia e deu início a um cenário de comoção e revolta em Jaboticabal, onde a família vivia.
Na tarde desta terça-feira (23), o companheiro da mulher desaparecida confessou à polícia que matou a esposa e os três enteados. Após a confissão, ele indicou o local onde os corpos estavam ocultados, em uma área rural, encerrando o mistério que pairava sobre o paradeiro da família.

Confissão encerra buscas e revela tragédia familiar
O suspeito, identificado como Milton, admitiu ter assassinado Sabrina, de 27 anos, e os filhos dela: Eduardo, de 10 anos, Victor, de 8, e Luiz, de 6. Segundo a Polícia Civil, após cometer os crimes, ele ocultou os corpos em uma fazenda e manteve a versão de que a mulher teria saído de casa voluntariamente com as crianças.
Durante quase uma semana, Milton sustentou a narrativa de que Sabrina havia deixado o sítio onde moravam após uma discussão, levando os filhos e uma quantia em dinheiro. A história foi repetida à família e às autoridades, enquanto as buscas se intensificavam na região.
Familiares e amigos chegaram a espalhar cartazes, fazer apelos nas redes sociais e pedir ajuda da população, sem imaginar que o autor do crime acompanhava de perto toda a mobilização, mantendo uma postura aparentemente colaborativa.
Revolta toma conta da cidade após descoberta dos corpos
A revelação da confissão e a localização dos corpos provocaram uma onda de indignação em Jaboticabal. Assim que a notícia se espalhou, centenas de moradores se concentraram em frente à unidade policial, exigindo justiça e demonstrando revolta diante da brutalidade do caso.
Diante do risco de agressões, a Polícia Militar de São Paulo precisou interditar o quarteirão e reforçar o esquema de segurança. O suspeito foi retirado do local sob forte escolta e transferido para uma unidade prisional em outra cidade, medida adotada para preservar a integridade física do preso e evitar um possível linchamento.
O reconhecimento oficial dos corpos foi feito por um tio das crianças, em um momento descrito por pessoas próximas como de extrema dor. As autoridades seguem preservando detalhes da investigação, em respeito à família e ao andamento do inquérito.
Investigação segue e cidade enfrenta luto coletivo
As motivações que levaram à chacina ainda estão sendo apuradas pela Polícia Civil de São Paulo. Os investigadores trabalham para esclarecer o contexto familiar, possíveis conflitos anteriores e a dinâmica dos crimes, além de reunir provas técnicas e depoimentos que sustentem o processo judicial.
O caso agravou ainda mais o clima emocional da cidade, que já vivia um período de luto após um grave acidente de ônibus ocorrido na mesma semana, também com vítimas fatais. Em poucos dias, Jaboticabal passou de uma rotina tranquila para um cenário marcado por perdas sucessivas e comoção coletiva.
Moradores relatam sentimento de incredulidade e tristeza profunda, especialmente por envolver crianças e um crime cometido dentro do ambiente familiar. Líderes comunitários e religiosos têm se mobilizado para prestar apoio às famílias atingidas e à população em geral.
Enquanto as investigações avançam e o suspeito permanece à disposição da Justiça, Jaboticabal tenta assimilar uma tragédia que interrompeu quatro vidas e deixou marcas profundas na cidade. Em meio à dor, a cobrança por respostas e punição segue como um clamor coletivo, refletindo a indignação de uma comunidade inteira diante de um crime que chocou o interior paulista às vésperas do Natal.



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