A Polícia Civil do Mato Grosso prendeu, na última segunda-feira (29/12), um homem colombiano de 34 anos acusado de submeter a própria companheira a uma sequência de agressões ao longo de aproximadamente três meses. O caso, ocorrido em Cuiabá, expôs mais uma situação grave de violência doméstica marcada por ameaças, medo e sofrimento prolongado da vítima.

Agressões se intensificaram ao longo dos meses
Segundo as investigações, o casal mantinha um relacionamento desde 2023 e morava em um hotel na capital mato-grossense. Além da convivência pessoal, os dois também dividiam a rotina de trabalho, o que dificultava ainda mais qualquer tentativa de afastamento por parte da vítima.
As agressões teriam começado em outubro deste ano, inicialmente com episódios de violência física como puxões de cabelo e socos. Com o passar das semanas, o comportamento do agressor se tornou mais intenso e recorrente. No início de dezembro, a situação evoluiu para ataques ainda mais graves, envolvendo tentativas de agressão com facas, enforcamento e múltiplos golpes.
Durante um dos episódios, o homem quebrou o tornozelo da vítima e tentou fraturar os dedos de suas mãos, deixando-a com mobilidade reduzida e em estado delicado. Ainda conforme a polícia, o agressor também destruiu o celular da mulher, o que dificultou qualquer pedido de ajuda e ampliou o isolamento da vítima.
Socorro só ocorreu após intervenção do chefe
Apesar da gravidade das agressões, a mulher, também de 34 anos, só recebeu atendimento médico dias depois. Os ataques mais severos ocorreram no dia 2 de dezembro, mas o socorro só foi prestado no dia 6, quando o chefe da vítima percebeu as lesões visíveis e decidiu intervir.
O empresário levou a funcionária ao Hospital Municipal de Cuiabá, onde a equipe médica identificou os ferimentos e acionou imediatamente a polícia. A partir do atendimento hospitalar, o caso passou a ser investigado formalmente pelas autoridades.
Mesmo após os episódios de violência, o agressor manteve sua rotina de trabalho normalmente, enquanto a vítima permaneceu gravemente ferida. Em depoimento, a mulher relatou que não denunciou antes por medo. Segundo ela, o companheiro fazia ameaças constantes, afirmando que mataria tanto ela quanto seus familiares caso procurasse ajuda.
Prisão preventiva e alerta das autoridades
Diante dos relatos e das provas reunidas, a Polícia Civil solicitou e cumpriu um mandado de prisão preventiva contra o suspeito, que teve o nome preservado pelas autoridades. Ele permanece à disposição da Justiça e responderá pelos crimes relacionados à violência doméstica.
A delegada Judá Maali, responsável pelo caso, destacou que situações como essa tendem a se agravar quando não são interrompidas a tempo. “A violência doméstica é um ciclo que tende a se agravar quando não interrompido, e a Polícia Civil seguirá atuando com rigor na proteção das vítimas e responsabilização dos agressores”, afirmou.
O caso reforça a importância da atenção de pessoas próximas, como familiares, colegas de trabalho e empregadores, na identificação de sinais de violência. Também evidencia o papel fundamental dos serviços de saúde e das forças de segurança no acolhimento e na proteção das vítimas, especialmente quando o medo e as ameaças impedem a denúncia imediata.



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