O que deveria ser uma madrugada comum terminou de forma trágica para uma família de Belo Horizonte. A jovem Cinthya Micaelli Soares Rolliz, de 26 anos, foi morta dentro da própria casa na noite da última quarta-feira (31), em um crime que reacende o debate sobre a efetividade das medidas protetivas concedidas a mulheres vítimas de ameaças e perseguições após o fim de relacionamentos.
Segundo familiares, Cinthya estava separada do ex-companheiro havia cerca de três meses e possuía uma medida protetiva judicial que determinava o afastamento do suspeito. Mesmo assim, ele não teria aceitado o término e continuava a ameaçá-la com frequência, inclusive rondando sua residência e seu local de trabalho.

Histórico de ameaças e medida protetiva ignorada
De acordo com o relato da família, o comportamento do ex-companheiro era marcado por ciúmes excessivos, atitudes agressivas e perseguições constantes. Após a separação, Cinthya procurou as autoridades e conseguiu na Justiça uma medida protetiva, justamente por temer que as ameaças evoluíssem para algo mais grave.
A mãe da vítima, Ângela Fernandes Soares, afirmou que a filha vivia com medo, apesar de tentar manter a rotina e cuidar da filha pequena. Segundo ela, a família chegou a registrar ocorrências relatando as ameaças, mas não percebeu uma resposta eficaz capaz de impedir o desfecho trágico.
Casos como esse reforçam a preocupação de especialistas com situações em que o agressor descumpre decisões judiciais sem sofrer consequências imediatas, mantendo a vítima em constante estado de vulnerabilidade.
Crime ocorreu enquanto vítima dormia com a filha
Na madrugada do crime, o suspeito teria invadido a residência enquanto Cinthya dormia ao lado da filha de apenas cinco anos. A criança não sofreu ferimentos físicos, mas ficou profundamente abalada ao presenciar a cena. De acordo com a família, ela entrou em estado de choque e precisou de atendimento.
“O impacto psicológico foi enorme. A filha dela repetia, em choque, que o pai havia matado a mãe”, relatou a avó da menina, visivelmente abalada. A criança permanece sob cuidados de familiares, recebendo apoio emocional.
A Polícia Civil de Minas Gerais esteve no local e iniciou os procedimentos de investigação para esclarecer a dinâmica do crime e localizar o suspeito. Até o momento, detalhes adicionais não foram divulgados oficialmente.
Caso reacende debate sobre proteção às mulheres
A morte de Cinthya expõe, mais uma vez, as falhas no acompanhamento de casos considerados de alto risco, mesmo quando há registros formais de ameaças e medidas judiciais em vigor. Familiares afirmam que a jovem tentava reconstruir a vida e tinha planos próximos, incluindo uma viagem para comemorar o aniversário no início de janeiro.
O contraste entre os projetos interrompidos e a violência do crime amplia a dor dos parentes e amigos. Para a família, além do luto, permanece o sentimento de desamparo e a cobrança por justiça.
Especialistas apontam que situações como essa evidenciam a necessidade de monitoramento mais rigoroso de agressores, respostas mais rápidas diante do descumprimento de medidas protetivas e integração entre Judiciário e forças de segurança. Para quem ficou, resta a esperança de que a história de Cinthya sirva de alerta e ajude a evitar que outras mulheres tenham o mesmo destino.



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