A suposta captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças norte-americanas provocou reação imediata do governo brasileiro. Neste sábado, 3 de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência em Brasília para avaliar os impactos da ofensiva dos Estados Unidos e discutir possíveis desdobramentos políticos, diplomáticos e humanitários na América do Sul.
O encontro foi marcado para as 10h, no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, e ocorre em meio a relatos de explosões, apagões e forte instabilidade em Caracas durante a madrugada.

Governo brasileiro acompanha crise com máxima atenção
De acordo com fontes diplomáticas, o Palácio do Planalto acompanha os acontecimentos na Venezuela com “máxima atenção”, diante do risco de agravamento do conflito e de impactos diretos sobre a região. A preocupação central do governo brasileiro é evitar uma escalada militar que comprometa a estabilidade da América do Sul e agrave a crise humanitária já existente no país vizinho.
Lula determinou que participem da reunião ministros das áreas consideradas estratégicas, com o objetivo de construir uma resposta diplomática coordenada. O governo avalia que a situação exige cautela, diálogo e articulação internacional, evitando posicionamentos precipitados enquanto o cenário ainda está em rápida transformação.
Defesa, Itamaraty e Segurança discutem resposta diplomática
Entre os participantes confirmados está o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, que deve apresentar uma avaliação sobre possíveis reflexos militares e de segurança regional. O chanceler Mauro Vieira, que estava de férias, foi convocado a retornar antecipadamente a Brasília.
Até a chegada do ministro, a condução do encontro ficará sob responsabilidade da secretária-executiva do Itamaraty, Maria Laura da Rocha. Técnicos do ministério devem apresentar relatórios atualizados sobre a situação na Venezuela e os movimentos diplomáticos de outros países.
Segundo integrantes do governo, a orientação de Lula é que o Brasil adote uma postura de equilíbrio e defesa do multilateralismo, reforçando a importância da soberania dos países latino-americanos e do uso de canais diplomáticos para resolução de conflitos.
Impactos regionais e articulação com líderes sul-americanos
Diplomatas brasileiros avaliam que a ação militar dos Estados Unidos representa um novo desafio para a estabilidade regional e pode gerar consequências diretas nas fronteiras brasileiras, especialmente em Roraima, principal porta de entrada de migrantes venezuelanos no país.
Há preocupação com um possível aumento do fluxo migratório, além de reflexos econômicos e sociais nas regiões de fronteira. Por isso, o governo brasileiro também analisa cenários humanitários e a necessidade de reforçar estruturas de acolhimento, caso a crise se intensifique.
A expectativa no Planalto é que Lula mantenha contato com outros líderes sul-americanos ainda neste fim de semana, buscando articular uma posição conjunta por meio da Celac e do Mercosul.
Em um cenário internacional marcado por incertezas e decisões rápidas, a convocação da reunião de emergência evidencia a preocupação do governo brasileiro com os rumos da crise na Venezuela e seus efeitos sobre toda a América Latina.



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