Internação voluntária e morte dois dias depois
Segundo a família, Wilson foi internado no Instituto Terapêutico Redentor durante o período do Natal, como parte de uma tentativa de tratamento contra a dependência química. A internação foi voluntária, com consentimento do próprio paciente, e custeada pelos familiares.
De acordo com parentes, Wilson demonstrava disposição para se recuperar e estava ciente da rotina que enfrentaria dentro da instituição. No entanto, apenas dois dias após a internação, a família recebeu a notícia de que o jovem havia morrido dentro da clínica, na madrugada do dia 27 de dezembro.
Inicialmente, a explicação repassada aos familiares apontava para um problema de saúde súbito. Contudo, novas informações passaram a gerar desconfiança e angústia.
Certidão de óbito aponta traumas e aumenta suspeitas
A situação ganhou novos contornos após a emissão da certidão de óbito. O documento indicou a presença de traumas e hemorragias, informações que não condizem com a explicação inicial fornecida à família. Diante dessas inconsistências, o caso passou a ser tratado como morte suspeita pelas autoridades.
A Polícia Civil instaurou investigação para apurar as circunstâncias da morte. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, Wilson foi encontrado já sem vida em um dos quartos da clínica, e os procedimentos legais foram imediatamente acionados.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal, onde exames periciais devem ajudar a esclarecer a causa da morte e se houve ou não participação de terceiros.
Dor da família e pedido por justiça
Desde que recebeu a notícia, a mãe do jovem, Mariselma Cardoso Silva Felipini, afirma estar profundamente abalada. Em relatos emocionados, ela diz que a dor da perda é agravada pela falta de respostas e pela sensação de culpa.
“Se soubesse o tanto que eu me arrependo de ter posto esse menino lá, porque eu me sinto culpada. Agora ver o menino morto desse jeito? O que eu faço? Eu quero justiça, eu quero entender o que aconteceu com meu filho lá dentro”, desabafou.
A instituição informou, por meio de nota, que tentou prestar atendimento emergencial ao paciente e, sem sucesso, acionou as autoridades competentes, que realizaram os procedimentos necessários. A Secretaria Municipal de Saúde de Ribeirão Preto declarou que a clínica possui licença de funcionamento regular e que, até o momento, não havia registros de ocorrências anteriores contra o local.
Mesmo assim, as autoridades afirmam que novas diligências serão realizadas, incluindo coleta de depoimentos, análise de prontuários e laudos periciais. A família segue cobrando esclarecimentos e afirma que só conseguirá algum alívio quando entender exatamente o que aconteceu dentro da instituição que deveria cuidar de Wilson.
O caso permanece sob apuração e segue mobilizando atenção pública, levantando debates sobre fiscalização, segurança e transparência em clínicas de reabilitação.
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