Trilha de Réveillon e primeiros sinais de dificuldade
Roberto subiu a montanha acompanhado da amiga Thayane Smith para celebrar a virada do ano no ponto mais alto da Região Sul do país. Segundo relatos de outros trilheiros, o grupo conheceu a dupla no acampamento 1, na noite de quarta-feira, 31 de dezembro. Por volta das 3h da madrugada, decidiram seguir juntos rumo ao cume, mesmo sob chuva leve e baixa visibilidade, condições que já exigem atenção redobrada.
Durante a subida, Roberto passou a apresentar sinais de mal-estar, como fraqueza e lentidão. Ainda assim, insistiu em continuar o trajeto. Um dos montanhistas do grupo, identificado como Fábio Sieg Martins, relatou que, em determinado momento, Thayane seguiu à frente sozinha, enquanto Roberto ficou para trás recebendo apoio dos demais.
Após algum tempo, o jovem conseguiu se recuperar parcialmente com ajuda dos colegas, retomou o ritmo e alcançou o cume. Testemunhas afirmam que ele chegou a abraçar Thayane no topo, o que indicava que qualquer desentendimento anterior parecia momentaneamente superado.
Descidas perigosas, tensão e último contato
Apesar do clima aparentemente mais tranquilo no cume, a situação teria mudado novamente no início da descida, etapa considerada por especialistas como uma das mais perigosas em trilhas de montanha. Testemunhas relataram que houve novo clima de tensão entre Roberto e Thayane. Um dos montanhistas chegou a aconselhar a jovem a não se afastar do amigo, alertando para os riscos daquele trecho.
Quando o grupo retornou ao acampamento, no entanto, encontrou apenas Thayane na barraca. A ausência de Roberto causou estranhamento imediato. Questionada, ela teria demonstrado resistência em retornar à trilha para procurá-lo, comportamento que chamou a atenção dos demais integrantes do grupo, segundo relatos.
Pouco depois, diante da confirmação de que Roberto não havia retornado, o desaparecimento foi comunicado, e o Corpo de Bombeiros foi acionado. Desde então, as buscas se concentram na região do Pico Paraná, com apoio de equipes especializadas em resgate em montanha, drones e varreduras terrestres.
Investigação, cautela e alerta sobre riscos em trilhas
Roberto é descrito por amigos como um jovem alegre, brincalhão e comunicativo. Há relatos de que ele teria feito uma brincadeira pouco antes de desaparecer, o que pode ter contribuído para o clima de irritação mencionado por testemunhas. As autoridades, no entanto, reforçam que não há conclusões definitivas e que o caso segue sob investigação, sem apontamento de responsabilidade criminal até o momento.
Especialistas em montanhismo alertam que trilhas de alta dificuldade exigem planejamento rigoroso, preparo físico adequado, tomada de decisões coletivas e cuidado redobrado com o estado emocional do grupo. Fatores como cansaço, frio, chuva e conflitos pessoais podem comprometer julgamentos e aumentar exponencialmente os riscos.
Enquanto as buscas continuam, familiares e amigos mantêm a esperança de localizar Roberto. O caso serve como um alerta sobre a importância da prudência em ambientes isolados e reforça que, em trilhas de montanha, nenhuma decisão deve ser tomada de forma impulsiva ou solitária.
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