O assassinato de Ana Carolina Pereira de Santana, de apenas 18 anos, chocou moradores da Zona Leste de São Paulo e reacendeu o debate sobre violência contra a mulher, especialmente em relacionamentos considerados “tranquilos” por familiares e amigos. A jovem foi morta a facadas no último sábado (22), dentro do apartamento do namorado, Lucas Alves Pereira, que segue foragido.
O crime aconteceu na rua Dom Joaquim de Oliveira, no bairro Cidade Patriarca, onde o rapaz morava com uma tia. Segundo a polícia, Ana havia passado a noite no local, algo comum na rotina do casal, que mantinha um relacionamento há cerca de quatro meses.

Discussão, gritos por socorro e fuga
De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada por volta das 14h após vizinhos ouvirem uma discussão intensa vinda do apartamento. Em seguida, houve barulho de algo caindo no chão e, logo depois, gritos de socorro de uma mulher. Um dos moradores chegou a bater na porta, mas não obteve resposta.
Pouco tempo depois, o mesmo vizinho relatou ter visto Lucas saindo às pressas do imóvel, o que levantou suspeitas imediatas. A polícia foi chamada e, ao chegar ao local, precisou arrombar a porta. Ana Carolina já estava sem vida. Dentro do apartamento, duas facas que teriam sido usadas no crime foram apreendidas.
Lucas deixou o local vestindo tênis branco, bermuda cinza e preta, camiseta azul e uma blusa rosa com capuz, que seria da própria vítima. Até o momento, ele não foi localizado.
Postagem nas redes sociais reforça suspeita de crime passional
Após o crime, uma publicação feita por Lucas nas redes sociais causou ainda mais indignação. Em um story no Instagram, ele escreveu a frase: “Antes você sendo infeliz comigo do que feliz com outro”. A mensagem, segundo a polícia, está sendo analisada como parte do contexto do homicídio.
A tia do suspeito, Adriele, que mora no apartamento, não estava em casa no momento do crime e já prestou depoimento. Ela afirmou que o sobrinho nunca demonstrou comportamento violento e disse não imaginar que ele fosse capaz de cometer um ato desse tipo.
O caso foi registrado no 21º Distrito Policial, que segue responsável pelas investigações e pelas buscas ao suspeito.
Sonhos interrompidos e pedido por justiça
A família de Ana Carolina está profundamente abalada. A irmã da jovem, Maria Eduarda Pereira de Santana, contou que o casal se conheceu no ano passado, quando ambos estudavam na Etec A.E. Carvalho. Segundo ela, Ana nunca relatou agressões, ameaças ou comportamentos abusivos durante o relacionamento.
Maria revelou ainda que, na manhã do sábado, Ana enviou uma mensagem ao pai pedindo dinheiro — o último contato feito pela jovem. “Ela iria começar a cursar pedagogia agora essa semana. Conseguiu uma bolsa de 100%, algo que ela batalhou muito para alcançar. Estávamos todos felizes. Ele simplesmente tirou o sonho dela”, desabafou.
A família pede que o caso tenha ampla repercussão para que o suspeito seja localizado e responsabilizado. “Queremos justiça. Queremos que ele pague pelo que fez e que isso sirva de alerta para outras mulheres”, afirmou a irmã.
Enquanto a polícia segue nas buscas, o caso de Ana Carolina se soma a uma longa lista de feminicídios no país, reforçando a urgência de denunciar sinais de controle, ciúmes excessivos e comportamentos possessivos — mesmo quando o relacionamento aparenta normalidade.



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