Uma das figuras mais marcantes da televisão brasileira nos anos 1970 teve um fim de vida distante do brilho que a consagrou. Wilza Carla, atriz consagrada do teatro, do cinema e da TV, morreu em 2011 enfrentando sérias dificuldades financeiras, problemas de saúde e o sentimento de abandono por parte de pessoas que considerava amigas. Sua história voltou a chamar atenção pelo contraste entre o sucesso absoluto e a solidão nos últimos anos.

Do teatro às grandes novelas da televisão brasileira
Nascida em Niterói, Wilza Carla Pereira da Silva iniciou sua carreira artística ainda na década de 1950. Atuou em peças teatrais e nas tradicionais chanchadas do cinema nacional, consolidando-se como uma atriz versátil e de forte presença cênica. Ao longo dos anos, participou de mais de quarenta filmes, tornando-se um rosto conhecido do grande público.
Na televisão, Wilza construiu uma trajetória sólida na TV Globo, com papéis de destaque em produções que marcaram época. Um dos primeiros sucessos foi na novela Assim na Terra Como no Céu, mas foi em 1976 que ela alcançou o auge da popularidade, ao interpretar Dona Redonda, personagem icônica da novela Saramandaia. A cena em que a personagem “explode” de tanto comer entrou para a história da televisão brasileira.
Sucesso também no cinema e na TV de auditório
Além das novelas, Wilza Carla teve uma carreira expressiva no cinema e também se tornou presença frequente em programas de entretenimento. Ela atuou como jurada em atrações populares, como o Show de Calouros, apresentado por Silvio Santos. Sua personalidade forte, carisma e espontaneidade conquistaram o público, que a via como uma artista bem-sucedida e financeiramente estável.
Durante esse período, Wilza chegou a receber altos cachês, compatíveis com sua relevância artística. No entanto, anos mais tarde, ela revelaria que parte de seus ganhos foi distribuída entre familiares e pessoas próximas, o que contribuiu para o esvaziamento de seus recursos financeiros ao longo do tempo.
Doença, dificuldades financeiras e sentimento de abandono
A partir de 1994, a vida da atriz começou a mudar drasticamente. Wilza sofreu um AVC e passou a enfrentar uma série de problemas de saúde, incluindo obesidade, diabetes e o Mal de Alzheimer. Acamada, com limitações severas, ela passou a depender de cuidados constantes.
Em entrevistas e relatos feitos antes de sua morte, Wilza chegou a desabafar sobre as dificuldades financeiras e, principalmente, sobre a ausência de amigos que acreditava ter construído ao longo da carreira. “Eu ganhava bem, mas dava dinheiro para todo mundo”, declarou em uma ocasião, deixando transparecer mágoa e frustração.
Wilza Carla morreu em 18 de junho de 2011, aos 75 anos, na região de São Paulo. Seus últimos dias foram vividos ao lado da filha, Paola Faenza Bezerra da Silva, que permaneceu com ela até o fim. A história da atriz segue como um retrato duro da efemeridade da fama e dos desafios enfrentados por artistas após o afastamento dos holofotes.



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