A investigação sobre o desaparecimento de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, em Bacabal, entrou em uma nova e delicada fase. A Polícia Civil do Maranhão passou a tratar a mãe e o padrasto das crianças como suspeitos no inquérito, após identificar divergências relevantes nos depoimentos prestados pelo casal sobre o dia do desaparecimento, ocorrido em 4 de janeiro.
A mudança de status ocorreu após a análise detalhada das versões apresentadas à polícia. Segundo os investigadores, os relatos não apenas divergiam entre si, como também apresentavam inconsistências em relação à linha do tempo dos acontecimentos. Um dos pontos que mais chamou a atenção das autoridades foi a justificativa dada para a demora em acionar os órgãos oficiais de busca.

Divergências nos depoimentos e novas oitivas
De acordo com a Polícia Civil, tanto a mãe quanto o padrasto afirmaram que teriam sido orientados por moradores da região a aguardar 24 horas antes de procurar ajuda formal. Essa explicação, no entanto, levantou questionamentos entre os investigadores, já que o desaparecimento de crianças exige comunicação imediata às autoridades.
As inconsistências levaram à convocação de novas oitivas, realizadas de forma reservada, com o objetivo de confrontar as versões apresentadas anteriormente. A polícia não divulgou detalhes desses depoimentos para não comprometer o andamento do inquérito, mas confirmou que outras linhas de investigação passaram a ser analisadas, incluindo possíveis responsabilidades negligenciadas dentro do próprio núcleo familiar.
Até o momento, não há conclusão sobre o envolvimento direto do casal, mas os investigadores destacam que todas as hipóteses seguem em apuração.
Retorno de Anderson Kauan às áreas de busca
Enquanto a investigação avança no campo policial, o trabalho em campo também ganhou um novo elemento. Anderson Kauan, primo das crianças, que também havia desaparecido e foi localizado com vida, retornou de forma estratégica às áreas de busca.
Com autorização judicial e acompanhamento de equipes de proteção, o menino, de oito anos, refez os trajetos percorridos por Ágatha e Allan. O objetivo da ação é tentar reativar memórias que possam ter sido bloqueadas pelo trauma, fornecendo pistas importantes para a investigação.
Durante essas diligências, cães farejadores conseguiram rastrear o odor das crianças até a margem do Rio Mearim, reforçando a relevância das buscas fluviais realizadas desde os primeiros dias do desaparecimento.
Buscas no rio e impasse investigativo
Apesar do avanço no rastreamento, o escaneamento detalhado feito pela Marinha do Brasil, com uso de sonar de alta precisão, não identificou corpos nem objetos submersos no leito do rio. A ausência de resultados mantém o caso em um impasse, entre a possibilidade de um acidente aquático e outras hipóteses investigativas.
As autoridades informaram que, mesmo com o foco crescente na investigação policial, as buscas em campo não foram totalmente descartadas. Caso surjam novos indícios, as equipes poderão retornar imediatamente às áreas já vasculhadas.
O desaparecimento de Ágatha Isabelly e Allan Michael segue cercado de incertezas e comoção. Enquanto a Polícia Civil aprofunda a apuração sobre o círculo familiar e as circunstâncias do dia 4 de janeiro, a população acompanha o caso com expectativa por respostas e por um desfecho que esclareça o que aconteceu com as duas crianças.



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