Porteiro Volta Atrás e Diz Que Adolescentes do Caso Orelha São Inocen…Ver mais

O caso da morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, continua gerando repercussão e novos desdobramentos. Desta vez, o foco recai sobre a situação vivida por um funcionário do condomínio onde ocorreram as agressões. O porteiro do local negou, de forma categórica, possuir qualquer gravação dos maus-tratos sofridos pelo animal e relatou ter sido alvo de coações durante o andamento da investigação.

Segundo a defesa, o trabalhador passou a viver um ambiente de pressão e constrangimento após o episódio, envolvendo tanto familiares dos adolescentes suspeitos quanto a própria administração do condomínio. O caso levanta questionamentos sobre a proteção de testemunhas e as consequências enfrentadas por funcionários que acabam envolvidos, direta ou indiretamente, em investigações sensíveis.

Defesa afirma que porteiro nunca teve acesso a imagens

Em nota divulgada na quinta-feira (29), assinada pelo advogado Marcos Vinícius de Assis dos Santos, a defesa do porteiro foi enfática ao afirmar que “jamais houve, por parte do funcionário, qualquer filmagem do ocorrido”. O documento destaca que o trabalhador está sendo injustamente colocado como testemunha ocular de um fato que não presenciou.

De acordo com a defesa, o porteiro possui mais de 13 anos de atuação profissional sem qualquer intercorrência ou registro negativo em sua trajetória laboral. A tentativa de associá-lo à existência de imagens das agressões, segundo o advogado, seria uma forma de transferir responsabilidades e expor indevidamente um trabalhador que não teve participação direta no episódio.

Ainda conforme a nota, o funcionário sempre colaborou com as autoridades, prestando esclarecimentos sempre que solicitado e reafirmando não ter tido acesso a câmeras ou registros do momento das agressões ao cão Orelha.

Polícia confirma depoimento e ausência de vídeos

Na terça-feira (27), a Polícia Civil de Santa Catarina realizou uma coletiva de imprensa para atualizar as informações sobre a investigação da morte do animal. Na ocasião, a delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal, confirmou que o porteiro, em depoimento oficial, também negou possuir qualquer gravação relacionada ao caso.

Segundo a autoridade policial, as investigações seguem concentradas na apuração das responsabilidades dos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento nas agressões. A delegada ressaltou que a ausência de imagens não compromete o andamento do inquérito, que conta com outros elementos, como depoimentos e laudos.

A defesa do porteiro também revelou que, meses antes da morte do cão, o funcionário já havia comunicado à administração do condomínio episódios de “arruaças, algazarras e confusões” envolvendo adolescentes nas dependências do local, o que demonstra que havia registros prévios de comportamentos inadequados.

Constrangimentos, ameaças e afastamento do trabalho

Após a repercussão do caso, o porteiro teria passado a sofrer constrangimentos no próprio ambiente de trabalho. Segundo a defesa, o funcionário recebeu uma advertência por escrito, além de repreensões verbais, mesmo após esclarecer que não possuía qualquer vídeo das agressões.

O relato aponta ainda que houve a imposição compulsória de férias, sem aviso prévio legal, além de ameaças atribuídas a familiares dos adolescentes supostamente envolvidos. Para o advogado, as medidas configuram violações aos direitos do trabalhador, atingindo sua liberdade, intimidade, moral e segurança pessoal.

A defesa afirma que o porteiro se tornou um alvo injusto em meio à comoção gerada pelo caso e reforça que ele não pode ser responsabilizado por fatos que não presenciou. Enquanto isso, o caso Orelha segue mobilizando a opinião pública em Florianópolis e reacendendo debates sobre maus-tratos a animais, responsabilidade penal de adolescentes e a proteção de trabalhadores envolvidos em investigações de grande repercussão.

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