Macumbeiros Vão na Cachoeira Para Fazer Obra Contra Adolescentes Que Mataram Orelh…Ver mais

O inquérito policial que apurou a morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, foi encaminhado ao Poder Judiciário nesta terça-feira (3). A investigação concluiu pela responsabilização de apenas um adolescente, com recomendação de internação socioeducativa, enquanto os demais adolescentes investigados foram inocentados por falta de provas que comprovassem participação direta no crime. Orelha vivia há quase dez anos na Praia Brava e era conhecido por moradores e frequentadores da região.

Perícia confirmou agressão fatal e individualizou a autoria

Segundo o laudo da Polícia Científica, Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, no Norte da Ilha. A perícia apontou pancada contundente na cabeça, compatível com golpe violento, possivelmente por chute ou objeto rígido. O conjunto técnico permitiu individualizar a conduta do adolescente apontado como autor, afastando a responsabilidade dos demais investigados após análise minuciosa das provas.

Roupa do autor foi divulgada e ajudou na identificação

Durante as apurações, a Polícia Civil divulgou a roupa utilizada por um dos culpados, registrada por câmeras de segurança instaladas na Praia Brava e em vias próximas. As imagens foram consideradas decisivas para confirmar depoimentos, confrontar versões e reconstruir os deslocamentos do autor nas horas que antecederam a agressão. A partir desse material, a investigação consolidou a autoria e descartou envolvimento dos outros jovens.

Inocentamento dos demais e repercussão nas redes

Ao longo do inquérito, oito adolescentes chegaram a ser investigados, mas apenas um foi responsabilizado. Os demais foram inocentados, por ausência de provas técnicas e testemunhais que indicassem participação. Também foi apurada a tentativa de afogamento do cão Caramelo, que escapou com vida e acabou adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel; ainda assim, não houve elementos para imputar conduta a outros adolescentes além do autor identificado.

Paralelamente aos desdobramentos oficiais, o caso ganhou forte repercussão nas redes sociais. Circulam relatos de que grupos religiosos teriam se mobilizado para realizar supostas “obras” ou rituais de feitiçaria contra os envolvidos, como forma de protesto simbólico diante da comoção pública. As autoridades não confirmam qualquer relação desses relatos com a investigação e reforçam que as apurações seguem exclusivamente no âmbito legal, com base em provas técnicas e no devido processo.

Encaminhamento ao Judiciário e próximos passos

O inquérito foi conduzido pela Deacle e pela DPA, com análise de mais de mil horas de imagens, uso de 14 equipamentos de monitoramento e oitiva de 24 testemunhas. Diante da gravidade dos fatos atribuídos ao adolescente identificado, a Polícia Civil solicitou internação socioeducativa, medida mais severa prevista no ECA.

Com o envio ao Judiciário, caberá agora à Justiça avaliar o pedido e definir os próximos encaminhamentos. A morte de Orelha reacendeu o debate sobre proteção animal, responsabilização individual e limites da reação social, destacando a necessidade de respostas institucionais firmes e respeito ao Estado de Direito.

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