O caso que marcou o país em 2010 voltou ao centro das discussões após a localização do passaporte de Eliza Samudio em Portugal. A descoberta reacendeu questionamentos sobre o paradeiro dos restos mortais e trouxe novamente à tona detalhes de um dos crimes mais impactantes da história recente do Brasil.
Eliza desapareceu em junho de 2010. Meses depois, investigações apontaram que ela havia sido assassinada, mas o corpo nunca foi encontrado. A ausência dos restos mortais transformou o processo em um caso cercado de dúvidas e forte comoção pública. Ao longo dos anos, o episódio se manteve como símbolo de violência contra a mulher e de repercussão midiática intensa.

Declarações reacendem debate público
Em entrevista recente ao Geral Podcast, o ex-goleiro Bruno Fernandes voltou a comentar o caso. Ele afirmou que não foi o mandante do assassinato, mas reconheceu ter sido omisso diante dos acontecimentos.
Segundo Bruno, à época ele já não mantinha diálogo direto com Eliza e delegava questões pessoais a seu amigo Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão. “Chegou a um ponto que eu não tinha mais diálogo com a Eliza. Quem tomava conta das minhas coisas era o Macarrão”, declarou.
Durante o julgamento, ele afirmou ter respondido negativamente quando questionado se havia ordenado o crime, mas admitiu que tinha conhecimento da situação. “Eu sabia, mas eu não mandei”, disse. O ex-atleta reforçou que reconhece a omissão como erro, embora rejeite a imagem de ser o único responsável pelo desfecho.
As declarações rapidamente repercutiram nas redes sociais, reacendendo discussões sobre responsabilidade, justiça e a dor permanente da família da vítima.
Relembre o desfecho judicial
Em 2013, Bruno foi condenado pelo Tribunal do Júri de Contagem, em Minas Gerais, por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado. A pena inicial ultrapassou 20 anos de prisão. Ao longo dos anos, ele obteve progressões de regime até alcançar a liberdade condicional, concedida em janeiro de 2023.
Hoje, aos 41 anos, o ex-goleiro tenta retomar a carreira esportiva. Seu último clube foi o Capixaba Sport Clube, do Espírito Santo. Apesar disso, cada nova manifestação pública relacionada ao caso gera forte reação da opinião pública.
Bruno também afirmou desejar conversar com o filho que teve com Eliza, ressaltando que gostaria de esclarecer pessoalmente sua versão dos fatos. A declaração adiciona uma camada emocional ao episódio, que permanece sensível mesmo após mais de uma década.
O caso de Eliza Samudio continua sendo lembrado não apenas pelo crime em si, mas pela ausência de respostas definitivas sobre o corpo e pelas discussões que suscita sobre violência de gênero, responsabilidade penal e memória coletiva.



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