O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (26) que não percebeu de imediato a gravidade dos disparos ouvidos durante o tradicional jantar com correspondentes da Casa Branca, realizado na noite anterior em Washington D.C. Segundo ele, a reação inicial foi de curiosidade diante do barulho, o que acabou atrasando sua retirada do local por parte dos agentes de segurança.
Em entrevista ao programa “60 Minutes”, da CBS, Trump relatou que, no primeiro momento, não entendeu os sinais de alerta do Serviço Secreto. “Queria ver o que estava acontecendo”, disse. O republicano também reconheceu que sua postura dificultou o trabalho dos agentes, que precisaram agir com mais insistência para retirá-lo da área de risco.

Confusão inicial e ação do Serviço Secreto
O jantar, realizado no hotel Hilton Washington, reunia autoridades de alto escalão do governo norte-americano, além de jornalistas e convidados. O evento foi interrompido abruptamente quando sons de tiros foram ouvidos do lado de fora do salão.
De acordo com Trump, a confusão inicial ocorreu porque o ambiente já apresentava ruídos típicos de um grande evento. “Começamos a perceber que talvez fosse um problema sério, algo diferente do barulho comum de um salão”, explicou. Somente após a aproximação dos agentes de segurança, a situação passou a ser tratada como uma ameaça real.
O Serviço Secreto agiu rapidamente ao identificar a possibilidade de um ataque. Trump e a então primeira-dama, Melania Trump, foram orientados a se abaixar e se proteger no chão antes de serem retirados às pressas do local. Outros membros do governo também foram escoltados em segurança.
Apesar do susto, não há registros de feridos entre os participantes do evento. A rápida resposta das equipes de segurança foi fundamental para evitar consequências mais graves.
Autor do ataque e motivação investigada
O responsável pelos disparos foi identificado como Cole Tomas Allen, um engenheiro de 31 anos. Ele foi preso ainda nas dependências do hotel e permanece sob custódia das autoridades. Segundo informações preliminares, o suspeito teria como alvo o próprio Trump e outras autoridades presentes no jantar.
As investigações apontam que Allen viajou da Califórnia até Washington D.C., passando por cidades como Chicago antes de chegar ao destino final. Ele teria se hospedado no mesmo hotel onde o evento estava sendo realizado, o que facilitou a execução do ataque.
Antes de iniciar a ação, o suspeito enviou um manifesto por e-mail a familiares. No texto, expressou sentimentos de frustração, raiva e críticas ao governo. Em um trecho, descreveu o ato como algo “horrível”, mencionando arrependimento e conflitos emocionais.
Trump declarou que o conteúdo do manifesto revelava “ódio aos cristãos” e classificou o atirador como uma “pessoa doente” e um “lobo solitário”. O Departamento de Justiça, por sua vez, segue analisando o caso para determinar possíveis motivações e conexões.
As armas utilizadas no ataque teriam sido adquiridas legalmente nos últimos dois anos, segundo as autoridades. O caso reacende o debate sobre segurança em eventos públicos e o controle de armas nos Estados Unidos, especialmente em situações que envolvem figuras políticas de alto perfil.



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