Foi nesse cenário que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o ex-presidente Jair Bolsonaro a realizar exames hospitalares após sofrer uma queda dentro da sala onde cumpre prisão preventiva, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Queda dentro da custódia levou à avaliação médica imediata
O episódio ocorreu durante a madrugada e resultou em uma batida na cabeça. Médicos da própria Polícia Federal realizaram o primeiro atendimento e constataram ferimentos leves, além de um traumatismo cranioencefálico leve. Diante do quadro, foi recomendada observação médica e a realização de exames mais detalhados para afastar riscos de complicações neurológicas.
A defesa de Bolsonaro solicitou formalmente autorização para atendimento hospitalar emergencial, alegando a necessidade de exames que não poderiam ser realizados apenas com a estrutura disponível na superintendência. Entre os procedimentos solicitados estavam tomografia computadorizada, ressonância magnética e eletroencefalograma, exames considerados fundamentais para avaliar possíveis lesões internas e alterações neurológicas.
Na decisão, Alexandre de Moraes destacou que o atendimento médico é um direito do custodiado e que a medida não altera a situação processual do ex-presidente. O ministro reforçou que a autorização se limitava à realização dos exames necessários, sem qualquer flexibilização das condições de prisão preventiva.
Decisão impõe segurança reforçada e deslocamento discreto
Ao autorizar a saída temporária para o hospital, Moraes determinou que todo o transporte fosse feito de maneira discreta, com vigilância integral da Polícia Federal durante o deslocamento, a realização dos exames e o retorno imediato à superintendência. A orientação teve como objetivo preservar a segurança do custodiado e evitar exposição desnecessária.
Segundo a decisão, não haveria contato externo além do estritamente necessário para os procedimentos médicos, e todos os protocolos de custódia deveriam ser mantidos. A preocupação do STF foi garantir que o atendimento ocorresse sem riscos adicionais, tanto do ponto de vista médico quanto institucional.
O médico Claudio Birolini, que acompanha Bolsonaro, informou que o quadro clínico é considerado estável. Ele relatou que, antes da queda, o ex-presidente apresentou tonturas e episódios de soluços, o que levantou a necessidade de investigar possíveis causas associadas.
Avaliação médica aponta estabilidade, mas exige observação
O relatório médico elaborado pela Polícia Federal descartou sinais de déficit neurológico no primeiro exame, mas recomendou observação contínua e exames complementares para maior segurança. Entre as hipóteses avaliadas pelos profissionais de saúde estão interações medicamentosas, possíveis crises epilépticas e efeitos relacionados ao uso do aparelho CPAP, utilizado por Bolsonaro no tratamento da apneia do sono.
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