Parlamentares brasileiros usaram as redes sociais neste sábado (3) para comentar e comemorar a suposta captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, após a circulação de informações sobre uma ofensiva do governo dos Estados Unidos contra Caracas e outras regiões do país. As manifestações partiram do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira, ambos filiados ao PL, que publicaram comentários e imagens por meio da rede social X.
Apesar da repercussão e do tom comemorativo adotado pelos parlamentares, nenhuma autoridade oficial confirmou a prisão de Maduro, nem houve divulgação institucional da imagem compartilhada, o que mantém o episódio no campo da especulação política e da disputa narrativa nas redes.

Imagem compartilhada levanta dúvidas sobre autenticidade
A fotografia publicada por Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira mostra Maduro supostamente escoltado por dois militares norte-americanos. Nos coletes utilizados pelos agentes aparece a sigla da DEA, órgão ligado ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos e responsável pelo combate ao tráfico internacional de drogas.
Até o momento, não há confirmação de que os homens retratados sejam, de fato, agentes da DEA, tampouco que a imagem tenha sido registrada recentemente ou em território venezuelano. Nenhum comunicado foi emitido pelo governo dos Estados Unidos, pela Casa Branca ou por autoridades venezuelanas sobre uma eventual prisão do chefe de Estado.
Especialistas em desinformação alertam que imagens fora de contexto ou manipuladas costumam circular com maior intensidade em momentos de tensão política internacional, especialmente quando envolvem figuras públicas de grande relevância geopolítica, como o presidente da Venezuela.
Críticas ao Foro de São Paulo e a líderes da esquerda latino-americana
Em sua publicação, Eduardo Bolsonaro afirmou que o governo de Nicolás Maduro seria um dos principais sustentáculos financeiros, logísticos e simbólicos do Foro de São Paulo, entidade que reúne partidos e movimentos de esquerda da América Latina e do Caribe. O foro foi fundado pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva em parceria com o ex-líder cubano Fidel Castro.
Segundo Eduardo, uma eventual prisão de Maduro com vida colocaria Lula, o presidente da Colômbia Gustavo Petro e outros integrantes do grupo em uma posição política delicada. O ex-deputado concluiu a mensagem em tom de comemoração, associando o episódio à ideia de liberdade.
Declarações irônicas e provocação política
Nikolas Ferreira também comentou o caso de forma irônica e provocativa. O deputado afirmou desejar que outros “ditadores ou juízes da América Latina” tivessem o mesmo desfecho atribuído a Maduro. Em publicações adicionais, fez referência a polêmicas recentes e declarou que “2026 começou com os dois pés na porta da casa” do presidente venezuelano.
Em tom sarcástico, Nikolas sugeriu ainda que Maduro passaria a “dedurar o Lula”, ampliando o teor político e ideológico das postagens. Apesar da repercussão, não há qualquer confirmação oficial sobre a prisão, e o episódio segue restrito às manifestações feitas nas redes sociais por lideranças políticas brasileiras.



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