A China voltou a afirmar que a COVID-19 pode ter se originado nos Estados Unidos, alegando possuir “evidências substanciais” que indicariam a circulação do vírus em território americano antes do surto registrado em Wuhan. A nova ofensiva diplomática surge como reação direta às recentes declarações do governo de Donald Trump, que retomou publicamente a hipótese de vazamento do vírus em um laboratório chinês.
O tema, que parecia ter perdido força nos últimos anos, voltou ao centro do debate internacional e reacendeu tensões geopolíticas entre as duas maiores potências globais, quase seis anos após o início da pandemia.

China reage a acusações e aponta supostas evidências nos EUA
Segundo autoridades chinesas, documentos divulgados pela Xinhua sugerem que o vírus já circulava nos Estados Unidos antes de ser identificado oficialmente na China. Pequim também voltou a citar o Fort Detrick, um laboratório militar americano, como um “ponto de atenção” que deveria ser alvo de investigações internacionais mais aprofundadas.
O governo chinês acusa Washington de politizar a origem da pandemia para desviar o foco da própria condução da crise sanitária. Para Pequim, insistir na tese do vazamento em Wuhan seria uma estratégia política, não científica, usada para pressionar a China no cenário internacional.
Autoridades chinesas defendem que especialistas internacionais realizem investigações também em território americano, afirmando que qualquer apuração séria deve ser baseada em critérios técnicos e não em interesses geopolíticos.
Relatórios com a OMS são usados como argumento
A China reforça estudos anteriores conduzidos em parceria com a Organização Mundial da Saúde, que classificaram como “extremamente improvável” a hipótese de vazamento do vírus a partir de um laboratório em Wuhan. Esses relatórios apontaram como mais plausível uma origem natural, embora sem conclusão definitiva.
Pequim afirma que tais documentos continuam sendo ignorados por setores do governo americano, que voltaram a levantar suspeitas sem apresentar novas provas conclusivas. Para o governo chinês, a insistência nessa narrativa prejudica a cooperação internacional em saúde e compromete futuras respostas globais a pandemias.
Debate segue sem consenso internacional
Nos Estados Unidos, agências de inteligência já divulgaram avaliações divergentes sobre a origem da COVID-19. Parte delas aponta baixa confiança tanto na hipótese do vazamento laboratorial quanto em outras teorias, reconhecendo que não há evidências suficientes para uma conclusão definitiva.
Apesar disso, a retomada do discurso por líderes políticos mantém o tema em evidência e amplia o desgaste diplomático entre Pequim e Washington. Especialistas alertam que a falta de consenso científico e o uso político da pandemia dificultam avanços reais na compreensão da origem do vírus.
Enquanto isso, a controvérsia continua alimentando disputas internacionais, mostrando que, mesmo anos depois, a COVID-19 ainda é um tema sensível e carregado de implicações políticas globais.


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