Descanse em paz querido!! Coroinha M0rre Enquanto Dormia Após…Ver mais

A conclusão do Ministério Público do Ceará sobre a morte do coroinha Jefferson Brito Teixeira, de apenas 14 anos, trouxe à tona detalhes que chocaram o país pela brutalidade e pelo motivo do crime. Segundo o órgão, o adolescente foi assassinado porque os três cortes que usava na sobrancelha foram interpretados pelos agressores como um suposto sinal de ligação com uma facção criminosa rival. A Justiça do Ceará já aceitou a denúncia contra cinco homens envolvidos no homicídio.

O caso ocorreu no dia 18 de agosto de 2020, na Barra do Ceará, em Fortaleza, e permanece como um dos episódios mais emblemáticos da violência causada por interpretações equivocadas ligadas à lógica do crime organizado.

Ataque começou após interpretação equivocada dos cortes na sobrancelha

De acordo com a investigação, Jefferson caminhava pelo calçadão da Barra do Ceará quando foi abordado por criminosos. O adolescente não tinha antecedentes, não respondia por qualquer ato infracional e não possuía vínculo com organizações criminosas. Ainda assim, acabou sendo alvo de uma violência extrema.

O Ministério Público apurou que os cortes na sobrancelha, adotados por gosto pessoal e inspirados em funkeiros, foram interpretados pelos envolvidos como um símbolo de pertencimento a uma facção rival. Essa associação equivocada foi determinante para o ataque.

Segundo a denúncia, Robson Vasconcelos, apontado como integrante de uma organização criminosa, foi o primeiro a abordar o adolescente. Após observar o formato da sobrancelha, ele teria conduzido Jefferson até um beco, onde iniciou as agressões físicas.

Espancamento coletivo precedeu execução a tiros

O laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará revelou que Jefferson sofreu uma sequência de agressões antes de ser morto. Ele foi espancado com chutes, socos, paus e pedras, ficando completamente indefeso.

Durante o ataque, Robson teria percebido a presença dos demais acusados e gritado para que ajudassem, afirmando que a vítima seria “pilantra” e fazendo referência aos três cortes na sobrancelha. Atendendo ao chamado, David Hugo Bezerra da Silva, José Jorge Sousa Oliveira, Antônio Ivo do Nascimento Fernandes e um adolescente também passaram a agredir o coroinha.

Mesmo após Jefferson não demonstrar qualquer reação, as agressões continuaram. Conforme a denúncia, o ataque só cessou quando Enzo Gabriel Jacaúna de Oliveira Xavier sacou uma arma de fogo e efetuou três disparos na cabeça do adolescente, causando sua morte imediata.

Denúncia aceita e versões apresentadas pelos acusados

A Justiça cearense aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra os cinco adultos envolvidos no crime. O sexto participante, por ser menor de idade à época, responde conforme as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Durante interrogatório, um dos suspeitos confessou ter participado do espancamento, mas alegou que a agressão teria começado porque Jefferson supostamente tentou roubar o celular de uma mulher — versão que não foi confirmada pela investigação. Ele também negou ter sido o autor dos disparos.

Para o Ministério Público, a apuração deixou claro que Jefferson foi morto por um julgamento equivocado e cruel, baseado apenas em sua aparência. O órgão reforçou que o adolescente era coroinha, frequentava a igreja e não tinha qualquer envolvimento com atividades ilícitas.

O caso evidencia o impacto devastador da violência associada à atuação de facções criminosas e ao controle simbólico de territórios, onde até detalhes estéticos podem ser interpretados como “sinais de guerra”. A morte de Jefferson Brito Teixeira permanece como um alerta sobre os riscos da banalização da violência e do preconceito em comunidades vulneráveis.

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