Como o raio interage com o corpo humano
Um raio pode carregar mais de 300 milhões de volts e atingir temperaturas superiores a 30 mil graus Celsius — mais quentes que a superfície do Sol. Quando atinge uma pessoa, a descarga elétrica não costuma atravessar o corpo por completo, como muitos imaginam. Na maioria dos casos, a eletricidade escorre pela superfície da pele, fenômeno conhecido como flashover.
Mesmo assim, a energia liberada é suficiente para causar parada cardíaca, falência respiratória ou desorganização do ritmo do coração. O impacto também pode provocar contrações musculares intensas, fazendo a vítima ser arremessada, o que aumenta o risco de traumas secundários, como fraturas e lesões na cabeça.
Queimaduras e marcas características
Diferente de queimaduras comuns, as causadas por raios nem sempre são profundas, mas podem ser extensas. Um dos sinais mais conhecidos são as figuras de Lichtenberg, marcas avermelhadas em forma de galhos ou raízes que aparecem na pele. Elas não são queimaduras tradicionais, mas sim rupturas de vasos sanguíneos superficiais, causadas pela passagem súbita da corrente elétrica.
Roupas, calçados e objetos metálicos próximos ao corpo podem explodir ou derreter, aumentando o risco de queimaduras térmicas. Cabelos podem ser chamuscados e a pele, mesmo sem feridas aparentes, pode ter sofrido danos internos significativos.
Efeitos internos e consequências a longo prazo
Os órgãos mais sensíveis à descarga elétrica são o coração, o cérebro e o sistema nervoso. Mesmo quando a pessoa sobrevive, podem surgir sequelas como perda de memória, dificuldade de concentração, dores crônicas, formigamentos, alterações de humor e até problemas auditivos ou visuais.
Outro ponto pouco conhecido é o chamado “choque por corrente de solo”. Em muitos casos, o raio não atinge diretamente a vítima, mas cai próximo a ela. A eletricidade se espalha pelo chão e entra no corpo pelos pés, subindo pelas pernas. Isso explica por que pessoas em áreas abertas, sob chuva intensa, correm risco mesmo sem contato direto com o raio.
Por que o atendimento rápido é essencial
Ao contrário do que muitos pensam, a vítima de raio não fica eletrizada e pode ser tocada com segurança. O atendimento imediato, especialmente com reanimação cardiopulmonar, pode ser decisivo para salvar vidas. Em muitos casos, a parada respiratória ocorre antes da cardíaca, e a intervenção rápida faz toda a diferença.
Casos como esse reforçam um alerta importante: tempestades com raios exigem abrigo imediato. Evitar áreas abertas, árvores isoladas e estruturas metálicas pode ser a diferença entre a vida e a morte.
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