Comerciantes do ramo de água mineral em Sobral, no interior do Ceará, denunciam uma série de ameaças, extorsões e imposições atribuídas a membros de uma facção criminosa que estaria tentando controlar a comercialização do produto na cidade. O caso ganhou repercussão após relatos de vítimas à TV Verdes Mares e resultou, até o momento, na prisão de pelo menos 10 suspeitos, segundo as forças de segurança.
De acordo com os comerciantes, o grupo criminoso exigia o pagamento de R$ 1,50 por cada garrafão de água vendido, valor cobrado diretamente das empresas fornecedoras. Já para os comerciantes locais, a exigência era ainda mais pesada: além de serem obrigados a vender apenas marcas determinadas pela facção, alguns precisavam pagar até R$ 1 mil por dia para continuar funcionando.

Comerciante relata ameaças, fechamento do negócio e fuga da cidade
Uma das vítimas, que não será identificada por questões de segurança, contou em entrevista exclusiva que passou a ser ameaçada no início da semana passada. Segundo ele, os criminosos tentaram impor quais marcas poderiam ser vendidas em seu estabelecimento. Ao se recusar, vieram as cobranças financeiras.
“Recusei. Eles sugeriram uma taxa de R$ 1 mil por dia para eu trabalhar. Era impossível. Fechei os depósitos e continuei recebendo ameaças para sair de casa”, relatou o comerciante.
Sem condições de arcar com os valores exigidos, a vítima decidiu fechar o negócio e deixar Sobral. Mesmo após a saída, segundo o relato, criminosos arrombaram sua residência, roubaram bens e reviraram o imóvel. Atualmente, ele está em outra cidade e afirma temer até mesmo permanecer no estado do Ceará.
Esquema atuava contra empresas e comerciantes dos bairros
As investigações apontam que os suspeitos agiam em duas frentes distintas. No caso das empresas fornecedoras, a facção impunha uma espécie de “taxa” sobre cada garrafão vendido, obrigando o repasse de parte do lucro. Já nos bairros, comerciantes eram coagidos a vender exclusivamente a marca de água controlada pelo grupo criminoso.
Além disso, havia a cobrança de valores diários para que os estabelecimentos pudessem continuar funcionando normalmente. Quem se recusava era alvo de ameaças, intimidações e, em alguns casos, precisava encerrar as atividades.
O impacto desse esquema já é sentido pela população. Em diversos bairros de Sobral, comerciantes relatam falta de água mineral, com distribuidoras menores suspendendo as atividades por medo de represálias.
“Ficamos dias sem receber água para trabalhar. Algumas regiões estão completamente sem abastecimento. A demanda aumentou, mas o medo de entregar em certos bairros também cresceu”, relatou outra vítima.
Prisões e investigação das forças de segurança
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará confirmou a prisão em flagrante de 10 pessoas suspeitas de integrar organização criminosa. Segundo a pasta, o grupo estaria tentando interferir diretamente no comércio de água mineral em Sobral.
Ainda na manhã da quarta-feira (4), equipes da Polícia Civil do Ceará identificaram e prenderam um homem que estaria indo de comércio em comércio repassando ameaças em nome da facção. Já no fim da tarde do mesmo dia, quatro suspeitos foram capturados em flagrante no bairro Vila União, no momento em que descarregavam garrafões de água de um caminhão.
A Polícia Militar do Ceará informou que o monitoramento foi intensificado na cidade para coibir novas ações criminosas e garantir a segurança de comerciantes e consumidores. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e desarticular totalmente o esquema.



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