Convocação às ruas e discurso de resistência
Em mensagens direcionadas a militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e a movimentos sociais, Nicolás Ernesto Maduro afirmou que a estratégia passa por mobilização popular contínua, com discursos centrados em “dignidade” e resistência. Segundo ele, a ideia é manter presença constante ao lado da base chavista e sustentar pressão política enquanto o ex-presidente permanece detido no exterior.
O tom adotado busca reforçar a narrativa de estabilidade interna mesmo após a operação militar americana. “Não nos verão fracos”, declarou. Em pronunciamento citado pela Rádio Miraflores, o herdeiro político do chavismo afirmou que o grupo pretende erguer as bandeiras de Hugo Chávez e trabalhar pela volta do pai ao país. “Estamos firmes (…). Estamos a avançar”, sublinhou.
Prisão de Maduro e escalada de tensões
A convocação ocorre em meio a protestos organizados nos últimos dias contra a ação dos Estados Unidos, que anunciaram ter realizado um ataque em larga escala para capturar Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O governo americano informou ainda que pretende administrar o país até a conclusão de um processo de transição de poder, ampliando a incerteza institucional na Venezuela.
Horas após a ofensiva, o presidente Donald Trump afirmou que não descarta uma segunda intervenção militar caso considere necessário. Maduro e Cilia Flores foram levados para Nova York, onde o ex-presidente deve comparecer a um tribunal federal em Manhattan para responder a acusações relacionadas a narcotráfico.
Governo interino e reação internacional
Com a prisão de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando interino do país. A transição, no entanto, ocorre sob forte tensão externa e com sinais de divisão na comunidade internacional. Enquanto alguns governos condenaram a ação militar americana, outros saudaram a saída de Maduro do poder.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, alertou que a operação pode gerar “implicações preocupantes” para a estabilidade regional, reforçando o debate global sobre os limites da intervenção externa e os riscos de escalada do conflito na América do Sul.
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