A morte de Raquel de Oliveira Lima, de 26 anos, assassinada a facadas pelo ex-namorado João Carlos Rodrigues de Lima, em Itararé, causou profunda comoção no interior paulista. O crime ocorreu na frente do filho da vítima e teve desdobramentos que chocaram ainda mais a população local. Segundo a Polícia Civil, após matar Raquel, o suspeito tirou uma foto do corpo e enviou a imagem para um grupo da igreja por meio de um aplicativo de mensagens.
João Carlos, de 21 anos, confessou o crime e teve a prisão temporária convertida em prisão preventiva na sexta-feira (28). Até a última atualização do caso, ele permanecia detido em Itararé. A defesa do acusado não foi localizada para comentar o assunto.

Crime foi motivado por recusa ao casamento, aponta investigação
De acordo com a apuração policial, Raquel não aceitava se casar com o ex-namorado, e ele já havia afirmado anteriormente que a mataria caso ela não concordasse com a união. A investigação trata o caso como feminicídio, diante do contexto de violência motivada pela não aceitação do fim do relacionamento e da autonomia da vítima.
Uma câmera de segurança registrou o momento em que Raquel foi atacada em via pública. As imagens também mostram o suspeito utilizando o celular próximo ao corpo logo após o crime, o que reforçou as suspeitas e contribuiu para a prisão em flagrante. As gravações fazem parte do inquérito policial e serão usadas como prova no processo.
O corpo de Raquel foi velado no velório da Santa Casa, e o sepultamento foi marcado para as 10h deste sábado (29), no cemitério municipal. O caso ganhou grande repercussão por ter ocorrido em uma cidade de pequeno porte, onde muitos moradores conheciam a vítima e sua família.
Pai relata desespero e dor ao encontrar a filha sem vida
O pai de Raquel, Gildo Lima, deu um depoimento emocionado sobre os momentos que se seguiram ao crime. Ele contou que percebeu algo errado ao ouvir o neto gritar por socorro na rua, dizendo que a mãe havia sido esfaqueada. Ao chegar ao local, encontrou a filha já sem vida, enquanto o suspeito ainda estava presente.
Segundo Gildo, o ex-namorado aparentava ser uma pessoa tranquila e não levantava suspeitas. A violência repentina deixou a família em choque. Ele afirmou que a dor é indescritível e que sente como se uma parte da família tivesse sido arrancada de forma brutal.
O pai relatou ainda que, tomado pela tensão e pelo desespero, chegou a empurrar João Carlos momentos após o crime. Mesmo em meio à tragédia, Gildo destacou as qualidades da filha, descrevendo Raquel como uma jovem dócil, alegre e apaixonada por música, que tocava violão e era muito querida por todos.
Cidade decreta luto e Prefeitura emite nota oficial
A comoção se espalhou rapidamente por Itararé. Por meio de nota oficial, a Prefeitura de Itararé lamentou a morte de Raquel e decretou luto oficial de três dias em todo o município. A jovem atuava como estagiária em uma escola municipal desde 2024.
No comunicado, a administração municipal destacou a dedicação e a sensibilidade de Raquel no apoio às unidades escolares, ressaltando que se tratava de uma mãe, trabalhadora e integrante ativa da comunidade. A nota classificou o crime como brutal e inaceitável, reforçando a solidariedade à família.
A morte de Raquel reacende o debate sobre violência contra a mulher, especialmente em contextos de término de relacionamento e recusa de controle afetivo. O caso segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que dará continuidade às investigações e ao encaminhamento do processo à Justiça. Enquanto isso, a cidade tenta lidar com o luto e a indignação diante de uma perda considerada irreparável.



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