O episódio, que voltou a ocupar espaço nas redes sociais e na imprensa, expôs feridas profundas que, segundo Arlie, nunca foram devidamente tratadas dentro do ambiente familiar.

Irmão de Eliza expõe relação marcada por tensão e controle
Ao comentar a repercussão do passaporte, Arlie revelou que os conflitos com a mãe, Sônia Moura, não são recentes. Ele relatou que viveu por anos sob cobranças constantes relacionadas à sua forma de se expressar, vestir e se identificar, descrevendo o ambiente familiar como controlador e pouco acolhedor.
Arlie, que se identifica como uma pessoa não-binária, contou que um dos episódios mais marcantes ocorreu próximo à data de seu aniversário, no ano passado. Na ocasião, a mãe sugeriu que ele a visitasse, mas impôs condições claras sobre sua aparência. Segundo o relato, Sônia teria pedido que ele evitasse maquiagem e roupas consideradas femininas, alegando preocupação com possíveis reações negativas de terceiros e com o impacto disso na convivência familiar.
Diante das exigências, Arlie decidiu cancelar a viagem e tornar pública a situação por meio das redes sociais, afirmando que não se sentia respeitado nem aceito dentro da própria casa.
Relatos revelam impactos emocionais desde a adolescência
De acordo com Arlie, situações semelhantes aconteceram desde a adolescência. Ele afirma que teve sua privacidade violada em diversas ocasiões e que passou a enfrentar cobranças frequentes sobre comportamento, identidade e vestuário. Esses episódios, segundo ele, criaram um ambiente de constante vigilância, repressão e medo de julgamento.
Em uma das mensagens atribuídas à mãe, Sônia teria minimizado a situação, afirmando que não se tratava de preconceito, mas de preocupação com reações externas. Para Arlie, no entanto, o discurso sempre teve o efeito de silenciar sua identidade e limitar sua liberdade pessoal.
O jovem relata que esse histórico contribuiu para um desgaste emocional profundo e para a sensação de não pertencimento dentro do núcleo familiar, o que se intensificou ao longo dos anos.
Mudança de cidade e busca por autonomia
A decisão de se mudar para São Paulo, segundo Arlie, foi um passo necessário para preservar sua saúde emocional e viver com mais autonomia. O afastamento físico representou, para ele, uma chance de existir com mais liberdade e menos julgamentos, longe das pressões familiares constantes.
Apesar da distância, os atritos não cessaram completamente. Arlie contou que, mesmo após adotar um novo nome, sua escolha não foi respeitada pela mãe, o que aprofundou ainda mais o distanciamento entre os dois.
O relato evidencia como conflitos familiares relacionados à identidade de gênero podem gerar impactos profundos e duradouros. Mais do que um desabafo pessoal, a fala de Arlie reacende um debate necessário sobre respeito, escuta e aceitação dentro das famílias. Em meio a um caso já marcado por dor e violência, sua história expõe outra camada de sofrimento, silenciosa, mas igualmente significativa, reforçando a importância do diálogo e do acolhimento como pilares de relações familiares mais saudáveis.
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