A atriz Isis Valverde foi vítima de um dos casos mais longos e graves de perseguição já registrados envolvendo uma figura pública no Brasil. Segundo as investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro, o assédio teria se estendido por aproximadamente duas décadas, período em que um homem manteve comportamento obsessivo, invasivo e insistente, colocando em risco a segurança da artista e de sua família.
O suspeito, Cristiano Rodrigues Kellermann, de 43 anos, foi preso em flagrante na última terça-feira (16) por agentes da Delegacia Antissequestro (DAS), no momento em que tentava invadir a residência da atriz, localizada na capital fluminense. A prisão ocorreu após um cerco montado pela polícia, acionada por alertas emitidos pelo sistema de segurança do imóvel.
De acordo com os investigadores, o nível de perseguição atingiu um ponto considerado fora de controle, o que levou Isis Valverde a buscar apoio das autoridades diante do temor real por sua integridade física.

Comportamento obsessivo incluía monitoramento e tentativas constantes de aproximação
Durante as apurações, a Polícia Civil constatou que o suspeito mantinha uma rotina de vigilância direcionada à atriz. Segundo os relatos, Cristiano monitorava a movimentação de Isis Valverde e tentava se aproximar dela em diferentes ocasiões, inclusive em outros estados do país.
Em depoimento, ele admitiu que vinha tentando contato direto com a artista há anos, sempre motivado por uma suposta “paixão”, que ele próprio classificou como antiga e persistente. O homem confessou ainda que se deslocava intencionalmente até locais onde acreditava que a atriz estivesse, com o objetivo de encontrá-la pessoalmente.
Em uma das ocorrências anteriores, o suspeito chegou a ser visto rondando a residência de Isis Valverde, mas conseguiu deixar o local antes da chegada da polícia. Já na tentativa mais recente, segundo os agentes, ele demonstrava insistência em falar diretamente com a atriz, o que elevou o nível de alerta das autoridades.
O caso se enquadra no crime de perseguição reiterada, tipificado no Código Penal, caracterizado pela insistência em contato indesejado, monitoramento e invasão da esfera privada da vítima.
Detetive particular foi contratado para obter dados pessoais da atriz
Um dos pontos mais graves identificados durante o inquérito foi a contratação de um detetive particular por parte do suspeito. Segundo a Polícia Civil, o profissional teria sido contratado com o objetivo de levantar informações pessoais e sensíveis sobre Isis Valverde, incluindo endereço residencial e número de telefone.
A prática, além de invasiva, reforçou a tese de que a perseguição era planejada e sustentada ao longo do tempo, não se tratando de um episódio isolado. Para os investigadores, esse detalhe evidencia o grau de obsessão envolvido e o risco potencial à segurança da vítima.
As autoridades tomaram conhecimento da movimentação do suspeito por meio das câmeras e sensores de segurança instalados na residência da atriz. A partir disso, foi montado um cerco tático, que resultou na localização e prisão de Cristiano Rodrigues Kellermann nas imediações do imóvel.
Durante o depoimento, ele confirmou ter tentado se aproximar da atriz em diversas oportunidades e admitiu o comportamento reiterado de assédio. Natural do Rio Grande do Sul, o homem revelou que viajou propositalmente até o Rio de Janeiro com a intenção de encontrá-la. Ele também informou às autoridades que é pessoa com deficiência (PCD), informação que foi registrada no inquérito, mas que não interfere na tipificação criminal do caso.
Caso reacende debate sobre segurança e limites da exposição pública
O episódio reacende o debate sobre os riscos enfrentados por figuras públicas e os limites entre admiração e comportamento criminoso. Especialistas em segurança destacam que a perseguição prolongada, quando não interrompida, pode evoluir para situações ainda mais graves.
Até o momento, a defesa do suspeito não se manifestou publicamente. A Polícia Civil segue com o inquérito para apurar se houve outros crimes associados à perseguição e se mais pessoas participaram direta ou indiretamente da obtenção de informações pessoais da atriz.
O caso segue sob investigação, e medidas protetivas devem ser reforçadas para garantir a segurança de Isis Valverde e de seus familiares.



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