Jovem de 22 Anos Tira Sua Própria Vida Após…Ver mais

Em um depoimento marcado pela emoção e pelo pedido por justiça, Inês Oliveira falou pela primeira vez sobre a morte da filha, Jéssica Vitória Canedo, de 22 anos. A jovem faleceu na última sexta-feira (22/12) após ter o nome associado, de forma não comprovada, a um suposto relacionamento com o humorista Whindersson Nunes, o que desencadeou uma onda de ataques virtuais. A entrevista foi concedida à TV Parnaíba, e trouxe à tona o impacto emocional vivido pela família diante da exposição e da desinformação.

Pedido de ajuda ignorado e sofrimento silencioso

Durante a conversa, Inês relatou que a filha pediu ajuda repetidas vezes para que as notícias falsas parassem de circular. Segundo a mãe, Jéssica demonstrava fragilidade emocional e buscava amparo para conter a repercussão negativa que se espalhava nas redes. Inês chegou a gravar um vídeo público pedindo que cessassem as publicações, na tentativa de proteger a filha do agravamento do sofrimento.

A mãe contou que se sentia impotente diante do alcance das postagens e da velocidade com que as acusações se multiplicavam. O relato enfatiza a angústia de uma família que, mesmo alertando para o estado emocional da jovem, não conseguiu conter o efeito do chamado “linchamento virtual”.

Ataques virtuais e desinformação

Inês mencionou a página Choquei como o primeiro perfil a divulgar o conteúdo que associava a filha ao humorista. Segundo ela, foi a própria Jéssica quem mostrou as mensagens ofensivas que passaram a circular, ampliando o desgaste emocional. A mãe afirmou que a jovem já enfrentava problemas de saúde mental e que a exposição agravou um quadro delicado.

No depoimento, Inês destacou que Jéssica não mantinha perfis ativos em redes sociais e que a comunicação da filha se dava, majoritariamente, por telefone. Ainda assim, imagens pessoais foram retiradas de perfis de familiares e usadas fora de contexto, reforçando uma narrativa que não correspondia à realidade, segundo a família.

Convivência com a depressão e cuidado constante

A entrevista também abordou o cotidiano da jovem nos meses anteriores. Inês relatou que a filha permanecia longos períodos no quarto, com sinais de depressão, e que a família buscava apoio médico. Ela afirmou possuir laudos que comprovam o tratamento e o acompanhamento realizados, além de relatar noites em claro dedicadas à vigilância e ao cuidado.

O depoimento ressalta o esforço contínuo para preservar a segurança da filha em meio a um quadro de sofrimento emocional, evidenciando como a pressão externa pode agravar situações já sensíveis. Para a mãe, a exposição pública e os ataques foram fatores que contribuíram para a deterioração do estado psicológico de Jéssica.

Apelo por responsabilização e investigação

Ao final, Inês fez um apelo para que o caso gere consequências e evite que outras famílias passem pela mesma dor. “Tudo o que eu quero é que mostre que tem Justiça nesse Brasil ainda”, disse, pedindo que a repercussão sirva para conscientizar sobre os riscos da desinformação e da violência digital.

A Polícia Civil informou que instaurará procedimento investigatório para apurar as circunstâncias da morte. O objetivo é verificar se houve algum tipo de induzimento ou auxílio, conforme previsto em lei, e esclarecer responsabilidades relacionadas à propagação de conteúdos que possam ter contribuído para o desfecho.

O caso reacende o debate sobre responsabilidade nas redes sociais, checagem de informações e cuidado com a saúde mental diante da exposição pública. Especialistas reforçam a importância de combater boatos, evitar julgamentos precipitados e buscar apoio quando sinais de sofrimento emocional aparecem. A história de Jéssica, agora contada pela voz da mãe, evidencia a urgência de práticas mais responsáveis no ambiente digital e de redes de proteção efetivas para pessoas em situação de vulnerabilidade.

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