O encontro foi marcado para as 10h no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, e reflete a preocupação do Planalto com a escalada da tensão regional e com possíveis consequências diretas para o Brasil, especialmente nas áreas de fronteira.

Governo brasileiro reage e convoca reunião de emergência
Segundo fontes diplomáticas, o governo brasileiro acompanha os acontecimentos na Venezuela com “máxima atenção”. Relatos vindos de Caracas indicam um cenário de instabilidade nas horas seguintes à operação norte-americana, incluindo interrupções no fornecimento de energia elétrica e movimentação militar em áreas estratégicas da capital.
Lula determinou que a reunião reunisse ministros das áreas consideradas centrais para o momento. Estão previstos representantes da Defesa, das Relações Exteriores e do Gabinete de Segurança Institucional, com o objetivo de construir uma avaliação integrada da situação e definir os próximos passos da diplomacia brasileira.
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, deve participar do encontro. Já o chanceler Mauro Vieira, que estava em período de férias, foi convocado a retornar antecipadamente a Brasília. Até sua chegada, os trabalhos serão conduzidos pela secretária-executiva do Itamaraty, Maria Laura da Rocha.
Preocupação com estabilidade regional e impactos humanitários
Integrantes do governo avaliam que a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela representa um novo e delicado desafio para a estabilidade da América do Sul. Além das implicações políticas, há receio de que o agravamento do conflito provoque um aumento no fluxo de refugiados e migrantes, especialmente em direção às fronteiras brasileiras.
Nesse contexto, o estado de Roraima surge novamente como ponto sensível. A região já enfrenta, há anos, pressão migratória decorrente da crise venezuelana, e um novo episódio de instabilidade pode intensificar esse movimento, exigindo respostas rápidas nas áreas humanitária, de segurança e de assistência social.
Diplomatas brasileiros também alertam para os riscos de precedentes internacionais envolvendo ações militares unilaterais na região. Para o Itamaraty, o momento exige cautela, equilíbrio e a defesa de princípios tradicionais da política externa brasileira, como a não intervenção e a solução pacífica de controvérsias.
Articulação com líderes sul-americanos e defesa do diálogo
A expectativa no Palácio do Planalto é de que Lula mantenha contato com outros chefes de Estado sul-americanos ainda neste fim de semana. A ideia é construir uma posição conjunta por meio de fóruns regionais, como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos e o Mercosul, reforçando a importância do diálogo multilateral.
Segundo interlocutores do governo, o Brasil pretende adotar uma postura de mediação e equilíbrio, evitando alinhamentos automáticos e buscando preservar canais diplomáticos abertos entre os países envolvidos. A avaliação interna é de que o agravamento do conflito pode gerar efeitos duradouros sobre a integração regional e a segurança do continente.
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