Mesmo após mais de uma década, o caso de Eliza Samúdio continua provocando dor, revolta e feridas que jamais cicatrizaram. Desta vez, quem voltou a se manifestar foi a mãe da jovem, que fez um desabafo duro e comovente ao comentar a nova onda de repercussão envolvendo o nome da filha. Segundo ela, todos os dias precisa repetir para si mesma uma verdade que jamais aceitou: Eliza está morta.
A declaração surge em meio à retomada do caso nas redes sociais e no noticiário, impulsionada por novas informações e especulações que voltaram a circular. Para a mãe, cada vez que o assunto retorna ao debate público, a dor se renova, como se o tempo não tivesse passado.

“Todo dia eu repito que ela está morta”, diz a mãe
Em entrevista, a mãe de Eliza afirmou que convive diariamente com a ausência da filha e que precisa, de forma quase automática, reafirmar a realidade para não alimentar falsas esperanças. “Todo dia eu repito que ela está morta. É duro falar isso. É duro viver isso”, desabafou.
Segundo ela, o sofrimento não diminui com o passar dos anos. Pelo contrário: a cada nova notícia, boato ou comentário nas redes sociais, a ferida se reabre. “Dói muito ver esse assunto voltando à tona. As pessoas comentam, especulam, fazem teorias, mas esquecem que existe uma mãe que perdeu a filha”, afirmou.
O sentimento, de acordo com o relato, é de exaustão emocional. A mãe diz que aprendeu a conviver com o silêncio deixado por Eliza, mas não com a exposição constante do caso, que a obriga a reviver lembranças dolorosas repetidas vezes.
Caso marcou o país e nunca deixou de gerar comoção
Eliza Samúdio desapareceu em 2010, aos 25 anos, em um dos crimes mais emblemáticos da história recente do Brasil. O caso ganhou repercussão nacional por envolver o então goleiro Bruno Fernandes, condenado pela Justiça em 2013 pelos crimes relacionados ao desaparecimento e à morte da jovem.
Mesmo após a condenação, o nome de Eliza nunca deixou de ser lembrado, seja em debates sobre violência contra a mulher, seja em discussões sobre impunidade e exposição midiática. Para a mãe, porém, nenhuma dessas discussões diminui a dor pessoal da perda.
Dor que não prescreve com o tempo
A mãe de Eliza reforça que não existe “acostumar” com a ausência de um filho. Existe apenas aprender a sobreviver com ela. “É uma dor que não passa. A gente só aprende a carregar”, afirmou. Ela também pediu mais empatia ao público e às redes sociais, lembrando que por trás de cada manchete existe uma família marcada para sempre.
O desabafo expõe um lado muitas vezes esquecido em casos de grande repercussão: o luto prolongado de quem ficou. Para essa mãe, repetir diariamente que a filha está morta não é aceitação — é uma forma dolorosa de continuar vivendo.
E cada vez que o nome de Eliza Samúdio volta aos holofotes, a ferida se abre novamente, lembrando que, para algumas famílias, o tempo não apaga nada. Apenas ensina a conviver com a ausência.



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