Marcelo VIP M0rre Aos 49 Anos Após…Ver mais

A morte de Marcelo Nascimento da Rocha, conhecido em todo o Brasil como Marcelo VIP, encerra uma trajetória que marcou a crônica policial nacional desde o início dos anos 2000. Ele faleceu aos 49 anos, na última terça-feira (9), enquanto fazia uma viagem de trabalho em Joinville (SC).

A confirmação foi feita por advogados e pessoas próximas, que também informaram que Marcelo vivia atualmente em Curitiba. O sepultamento está marcado para esta quarta-feira (10), em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana da capital paranaense. A notícia rapidamente voltou a colocar seu nome em circulação, lembrando tanto os episódios de fraude quanto o impacto cultural que sua história provocou.

A trajetória marcada por golpes, personagens e projeção nacional

Natural de Maringá (PR), Marcelo VIP construiu uma persona que ultrapassou o universo policial e se tornou objeto de estudo, curiosidade e debate público. Sua notoriedade começou a se consolidar nos anos 2000, quando ele passou a aplicar golpes elaborados e assumir identidades falsas com frequência impressionante. Segundo a família e profissionais que acompanharam seus últimos anos, ele enfrentava problemas de saúde agravados por complicações de uma cirrose hepática, um quadro que evolui de maneira silenciosa e compromete o funcionamento do fígado. O agravamento teria ocorrido após uma cirurgia bariátrica.

O caso que definitivamente o projetou nacional e internacionalmente aconteceu em 2001, quando Marcelo se passou por Henrique Constantino, um dos fundadores da Gol Linhas Aéreas. Durante uma festa no Recife, concedeu entrevistas, foi tratado como empresário e circulou entre celebridades sem levantar suspeitas imediatas. A situação ganhou enorme repercussão na imprensa e levou o país a discutir como alguém conseguira sustentar uma farsa tão grande por tanto tempo.

Filme, documentário e o interesse público pela história de Marcelo

O magnetismo em torno de sua figura fez com que sua vida ultrapassasse o noticiário policial. Em 2010, ele se tornou tema do documentário “VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso”, que explorou suas estratégias, personagens inventados e a facilidade com que transitava por ambientes sociais distintos. No ano seguinte, sua história inspirou o filme de ficção “VIPs”, estrelado por Wagner Moura, que conquistou quatro prêmios no Festival do Rio e ampliou ainda mais a compreensão do público sobre seu modo de agir.

Em entrevistas e em sua biografia publicada em 2005, Marcelo descrevia o início precoce de sua vida no crime. Relatava que começou a aplicar golpes aos 14 anos e que, aos 18, já atuava como piloto ligado ao narcotráfico. Também afirmava que, nos períodos em que não estava envolvido com o tráfico, criava personagens completos — com histórias, trejeitos e diferentes níveis de sofisticação — para se infiltrar em grupos influentes e conquistar a confiança de pessoas com facilidade.

Suas ações renderam múltiplas condenações por crimes como estelionato, associação ao tráfico, roubo de avião e falsidade ideológica. Marcelo foi preso pelo menos 12 vezes e protagonizou seis fugas, o que só alimentou ainda mais o fascínio público em torno de sua figura.

Os últimos anos e a dimensão humana por trás da fama

Apesar da fama construída à base de golpes, entrevistas e aparições inesperadas, Marcelo também falava sobre conflitos familiares e episódios que marcaram sua formação. Em seu livro, relatou que a mudança da família para Curitiba, quando tinha oito anos, teria sido um ponto decisivo. Dizia que, a partir dali, seus pais “perderam o controle” sobre seu comportamento e que a sucessão de identidades que adotou ao longo da vida funcionava, de certa maneira, como uma forma de escape.

Nos bastidores, pessoas próximas relatam que ele buscava reorganizar a vida profissional e tentava se distanciar da imagem que o acompanhou por décadas. A morte, porém, encerra de maneira abrupta uma história que se misturou à cultura pop, ao noticiário policial e a diferentes debates sobre personalidade, mentira e reinvenção.

Marcelo VIP deixa um legado controverso: de um lado, a ousadia e a capacidade de construir personagens que enganavam até especialistas; de outro, a lembrança de como essa mesma habilidade o conduziu a uma sucessão de crimes, prisões e fugas que marcaram profundamente sua trajetória. A despedida encerra um ciclo que, mesmo após sua morte, continuará sendo revisitado pela força de suas narrativas.

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