Os pais de Ana Clara Vitória Santana, de apenas 4 anos, vivem dias de dor e incerteza após a morte da filha, ocorrida na madrugada do dia 19 de janeiro de 2026, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) infantil do Hospital Santa Elisa, em Jundiaí, no interior de São Paulo. Além do luto, a família relata enfrentar dificuldades para ter acesso ao prontuário médico da criança, documento considerado essencial para compreender o que aconteceu durante o atendimento hospitalar.

Cirurgia considerada simples terminou em complicações graves
Ana Clara foi internada no dia 15 de janeiro no Hospital da Unimed de Jundiaí para a realização de uma cirurgia de retirada das amígdalas e da adenoide, procedimento comum na infância. Segundo os pais, a expectativa era de uma recuperação rápida e sem maiores intercorrências. No entanto, durante a cirurgia, a criança apresentou complicações inesperadas.
De acordo com o relato da família, Ana Clara precisou ser entubada por três vezes ainda no decorrer do procedimento cirúrgico. Diante da gravidade do quadro clínico, a equipe médica optou pela transferência da menina para a UTI infantil do Hospital Santa Elisa. Ela permaneceu internada sob cuidados intensivos por quatro dias, até não resistir e falecer na madrugada do dia 19.
A morte da criança causou forte comoção entre familiares e pessoas próximas, especialmente pelo fato de se tratar de uma cirurgia considerada de baixo risco. Desde então, os pais buscam esclarecimentos detalhados sobre todas as etapas do atendimento médico prestado à filha.
Pais relatam demora e entraves para acesso ao prontuário
No dia seguinte à morte de Ana Clara, o pai, Eder Henrique de Santana, compareceu pessoalmente ao hospital para solicitar oficialmente o prontuário médico da criança. Segundo ele, a informação recebida foi de que o prazo para entrega do documento poderia chegar a até 40 dias. A família questionou a demora, argumentando que o caso é recente e que não haveria necessidade de busca em arquivos antigos.
Ainda conforme o relato dos pais, após novas tentativas de contato com a unidade hospitalar, a justificativa apresentada foi de que o prontuário precisaria passar pelos setores de faturamento e de recursos de glosa antes de ser liberado. Mesmo diante da insistência da família, o documento não foi entregue até o momento.
Para os pais, a ausência do prontuário aumenta a angústia e dificulta o processo de entendimento sobre o que levou à piora do quadro clínico e, posteriormente, à morte da filha. Eles afirmam que não buscam conclusões precipitadas, mas desejam transparência e acesso às informações médicas.
Hospital não se manifestou até a publicação da matéria
A equipe de reportagem tentou contato com o Hospital Santa Elisa para esclarecer os motivos da demora na liberação do prontuário médico e obter um posicionamento oficial sobre o caso. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno por parte da instituição. O espaço segue aberto para que o hospital se manifeste e apresente esclarecimentos.
Especialistas em direito à saúde ressaltam que o prontuário médico é um documento do paciente e de seus responsáveis legais, devendo ser disponibilizado mediante solicitação, especialmente em situações de óbito. Para a família de Ana Clara, a liberação do documento representa um passo fundamental não apenas para possíveis medidas futuras, mas também para o processo de luto.
Enquanto aguardam respostas, os pais tentam lidar com a dor da perda e com a sensação de que ainda há muitas perguntas sem resposta sobre os últimos dias de vida da filha.



Publicar comentário