Menino M0rreu Após Receber Dose Errada de Medicamento em Hospi…Ver mais

A morte do menino Ysrael Pinho, de apenas 6 anos, voltou a ganhar repercussão após a família ter acesso ao prontuário médico da criança. Ysrael faleceu em dezembro do ano passado, depois de passar três vezes pelo pronto atendimento de um hospital particular de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o pai, novas informações levantam dúvidas sobre a conduta médica adotada durante o atendimento.

De acordo com o empresário Waters Gonçalves, o filho teria recebido uma dosagem elevada de adrenalina por via endovenosa, o que, na avaliação da família, pode ter sido determinante para o óbito. O caso segue sob investigação oficial.

Prontuário aponta uso de adrenalina e família questiona conduta médica

Após conseguir acesso aos registros médicos, a família afirma ter identificado a aplicação de 1,8 ml de adrenalina na veia da criança. O medicamento é utilizado em situações específicas, como reações alérgicas graves e paradas cardiorrespiratórias, por sua capacidade de elevar a pressão arterial e os batimentos cardíacos.

Segundo o pai, em nenhum momento ele foi informado sobre a administração da adrenalina. Gonçalves relata que, durante a segunda passagem de Ysrael pelo hospital, a médica responsável teria informado que estava prescrevendo apenas um antiemético, medicamento comumente utilizado para tratar náuseas e vômitos.

A família afirma que só tomou conhecimento do uso da adrenalina após a análise detalhada do prontuário. O pai diz ter buscado pareceres técnicos com profissionais da área da saúde, que teriam classificado a dosagem como incompatível com o peso da criança, que era de 18 quilos.

Para Gonçalves, a situação apresenta semelhanças com outro caso recente envolvendo erro de medicação em ambiente hospitalar. Ele cita a morte do menino Benício, de 7 anos, que faleceu em novembro de 2025, após receber uma dosagem errada de adrenalina em um hospital particular de Manaus, episódio que também gerou grande repercussão nacional.

Polícia Civil investiga e exumação do corpo foi solicitada

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que o caso está sob investigação e que diligências continuam em andamento. Em nota, a corporação informou que, ainda à época dos fatos, foi solicitado ao Poder Judiciário o pedido de exumação do corpo, medida considerada essencial para esclarecer as circunstâncias da morte.

Segundo a Polícia Civil, o inquérito busca apurar se houve erro médico, negligência ou falha nos protocolos adotados durante os atendimentos prestados à criança. As autoridades ressaltam que o processo segue dentro dos limites legais e que novas informações só poderão ser divulgadas após a conclusão de etapas técnicas, como laudos periciais.

A investigação também analisa os atendimentos anteriores realizados no hospital, uma vez que Ysrael foi levado à unidade três vezes antes do falecimento. A sequência de idas ao pronto atendimento levanta questionamentos sobre a evolução do quadro clínico e as decisões tomadas ao longo do acompanhamento médico.

Hospital afirma que procedimento seguiu diretrizes pediátricas

Procurada pela reportagem, a Hapvida, responsável pelo hospital onde Ysrael foi atendido, divulgou nota oficial afirmando que não houve erro na administração do medicamento. Segundo a operadora, a dose, a concentração e a via de aplicação da adrenalina estavam corretas e adequadas ao peso da criança.

A empresa afirma ainda que o procedimento seguiu diretrizes pediátricas reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina, o Conselho Federal de Medicina. A nota destaca que a instituição mantém compromisso com protocolos médicos e que colabora com as autoridades para o esclarecimento do caso.

Enquanto a investigação não é concluída, a família de Ysrael segue cobrando respostas e afirma buscar justiça para entender exatamente o que levou à morte do menino. O caso reacende o debate sobre segurança na administração de medicamentos em crianças, transparência na comunicação com familiares e a necessidade de rigor absoluto em atendimentos pediátricos de emergência.

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