Uma tragédia ocorrida em Brasília chamou a atenção para os riscos envolvendo airbags com recall pendente. Marcela Gonçalves Feitosa de Melo, assistente social de 37 anos, morreu após ser atingida no pescoço por uma peça do airbag do próprio carro durante um acidente de trânsito. O caso está sendo investigado e levanta questionamentos sobre segurança veicular e responsabilidade dos fabricantes.

Acidente aconteceu em faixa de pedestres no Cruzeiro
O acidente ocorreu na última terça-feira (1º), no bairro Cruzeiro, região administrativa localizada a cerca de 10 quilômetros do centro de Brasília. De acordo com as informações apuradas, Marcela conduzia o veículo quando colidiu na traseira de outro automóvel que havia parado em uma faixa de pedestres.
Com o impacto, o sistema de airbag do carro foi acionado. No entanto, em vez de cumprir apenas a função de proteção, um fragmento do dispositivo teria se desprendido e atingido diretamente a região cervical da motorista. A lesão foi grave e acabou provocando a morte da assistente social ainda no local.
Testemunhas relataram que o acidente, à primeira vista, parecia ser uma colisão comum, sem sinais de extrema violência. A gravidade do desfecho só foi compreendida após o atendimento de emergência, quando se constatou que o ferimento fatal não foi causado pela batida em si, mas por um componente do airbag.
Laudo preliminar aponta objeto como causa da morte
O caso está sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal. Segundo o delegado Victor Dan, responsável pela apuração, o Instituto de Criminalística já elaborou um laudo preliminar que indica a causa da morte como sendo um objeto que penetrou a cervical da vítima durante o acionamento do airbag.
“A causa da morte teria sido um projétil que penetrou na cervical da vítima. Esse é um laudo preliminar do Instituto de Criminalística da Polícia Civil e, agora, vamos aguardar os demais laudos”, afirmou o delegado.
Além do laudo criminalístico, outros exames técnicos ainda estão em andamento para esclarecer se houve falha no sistema de segurança do veículo, desgaste de componentes ou relação direta com campanhas de recall já anunciadas anteriormente. A investigação também busca determinar se o airbag estava dentro das especificações originais ou se havia alterações estruturais.
Veículo tinha recalls de airbag pendentes desde 2019
Marcela dirigia um Toyota Etios XS 1.5, ano/modelo 2015/2016. Em nota oficial, a Toyota confirmou que o veículo possuía campanha de recall pendente desde 2019 relacionada ao sistema de airbag.
“A Toyota se solidariza com a família da vítima e lamenta profundamente o ocorrido. Com relação ao veículo, informa que se encontra com campanha de recall pendente desde 2019. Para que a Toyota possa fornecer maiores informações, será necessária perícia técnica”, afirmou a montadora.
Dados disponíveis no portal da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) indicam que o modelo em questão tinha dois recalls ativos relacionados ao airbag: um referente ao dispositivo do motorista e outro ao do passageiro. Esses recalls envolvem falhas conhecidas que podem provocar a liberação de fragmentos metálicos durante o acionamento do sistema, aumentando o risco de ferimentos graves ou fatais.
O caso reacende o alerta para que proprietários de veículos verifiquem regularmente a existência de recalls pendentes e realizem os reparos gratuitos oferecidos pelas montadoras. Embora o airbag seja um item essencial de segurança, falhas nesse sistema podem transformar um mecanismo de proteção em um fator de risco, como evidenciado na morte de Marcela Gonçalves Feitosa de Melo.



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