Padre Fábio de Melo completou recentemente 24 anos de sacerdócio e escolheu marcar a data de forma reflexiva, usando as redes sociais para compartilhar um desabafo sobre os julgamentos e críticas que afirma receber ao longo de sua trajetória religiosa. Aos 54 anos, o sacerdote, que se tornou uma das figuras mais conhecidas da Igreja Católica no Brasil, abordou de maneira direta o impacto dessas críticas em sua caminhada e reafirmou os valores que sustentam seu ministério.
Na publicação, o religioso revelou que, desde o início de sua vida sacerdotal, enfrenta questionamentos sobre sua legitimidade como padre. Segundo ele, parte das críticas vem de pessoas que consideram sua forma de evangelizar inadequada ou incompatível com o que esperam de um sacerdote. Ainda assim, Padre Fábio destacou que escolheu não silenciar diante dos ataques e usou a data simbólica para refletir publicamente sobre sua missão.

Críticas, julgamentos e a dor de ser questionado dentro da própria fé
Em um dos trechos mais contundentes do texto, Padre Fábio de Melo afirmou que já ouviu repetidas vezes que não deveria exercer o sacerdócio. Ele relatou que há quem peça, inclusive, sua expulsão da Igreja e o classifique como uma “vergonha para o sacerdócio”. O relato expõe uma realidade pouco discutida fora dos bastidores da Igreja: o peso emocional enfrentado por líderes religiosos quando se tornam alvos de críticas constantes, especialmente vindas de fiéis.
Apesar do tom firme, o sacerdote demonstrou compreender a origem de parte desses julgamentos. Segundo ele, muitos estão baseados em uma visão moralista da fé, que não admite diferenças, fragilidades ou caminhos alternativos de evangelização. Para Padre Fábio, esse tipo de postura limita a compreensão do Evangelho e impede uma leitura mais profunda da mensagem cristã.
O religioso destacou que, ao longo dos anos, aprendeu a lidar com esses ataques sem permitir que eles o afastassem de sua vocação. Ele ressaltou que a fé, em sua essência, não nasce da perfeição, mas do encontro humano com Deus, marcado por erros, aprendizados e transformações.
Comparação com os discípulos de Jesus reforça crítica ao moralismo religioso
Ao aprofundar sua reflexão, Padre Fábio de Melo comparou sua experiência à forma como Jesus escolheu seus discípulos, destacando que muitos deles também seriam considerados inadequados sob critérios rígidos de moralidade. Ele afirmou que o “RH de Jesus”, como descreveu de forma simbólica, foi um dos mais incomuns da história, justamente por priorizar pessoas comuns, falhas e marginalizadas.
Segundo o sacerdote, os considerados “perfeitos” também estavam presentes, mas não permaneceram na missão, pois não suportaram o modo como Jesus vivia e anunciava sua mensagem. Para Padre Fábio, essa comparação serve como um alerta sobre o risco de transformar a fé em um espaço de exclusão, onde apenas determinados perfis são aceitos.
A fala reforça uma crítica recorrente feita pelo religioso ao longo dos anos: a de que o excesso de julgamento afasta pessoas da Igreja, especialmente aquelas que já se sentem rejeitadas ou invisibilizadas pela sociedade.
Acolhimento como essência do ministério e agradecimento aos fiéis
Ao encerrar a publicação, Padre Fábio de Melo reafirmou que o acolhimento é o pilar central de sua atuação sacerdotal. Ele afirmou que, ao longo desses 24 anos, dedicou-se a receber pessoas que cruzaram seu caminho, com atenção especial àquelas que não se sentem aceitas, que vivem à margem ou que carregam dores silenciosas.
Para o sacerdote, essa postura é a única forma de manter coerência entre aquilo que prega e aquilo que vive. Ele destacou que sua missão sempre foi abrir portas, não fechá-las, e que acredita que o Evangelho se manifesta de maneira mais autêntica quando há empatia e escuta.
Padre Fábio também aproveitou o momento para agradecer aos fiéis que se sentiram tocados por seu ministério ao longo dos anos. Segundo ele, cada mensagem de apoio, cada relato de transformação e cada gesto de confiança servem como confirmação de que sua escolha valeu a pena. Para o religioso, saber que sua atuação ajudou alguém, ainda que em um único momento da vida, já justifica toda a caminhada.



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