Dormir bem é essencial para a saúde física e mental, mas a posição adotada durante o sono pode trazer riscos importantes quando não é adequada. Entre todas as posições, dormir de bruços é frequentemente apontada por especialistas como uma das mais prejudiciais ao corpo. Apesar de muitas pessoas relatarem conforto inicial, os impactos negativos costumam aparecer a médio e longo prazo, afetando principalmente a coluna, a respiração e a circulação.

Pressão excessiva na coluna e risco de dores crônicas
O principal problema de dormir de bruços está na sobrecarga imposta à coluna vertebral. Nessa posição, a coluna lombar tende a ficar em hiperlordose, ou seja, excessivamente curvada, o que aumenta a pressão sobre vértebras, discos intervertebrais e articulações. Com o passar do tempo, isso pode resultar em dores lombares persistentes, rigidez ao acordar e até inflamações.
Além disso, o pescoço costuma permanecer girado para um dos lados por várias horas, o que gera tensão contínua na musculatura cervical. Esse esforço repetido pode causar dores no pescoço, nos ombros e na parte superior das costas, além de contribuir para problemas como torcicolos frequentes e desalinhamentos posturais. Em casos mais graves, dormir sempre nessa posição pode agravar hérnias de disco ou favorecer o desgaste precoce da coluna.
Impactos na respiração e na circulação sanguínea
Outro risco pouco percebido é o efeito da posição sobre a respiração. Ao dormir de bruços, o tórax fica comprimido contra o colchão, dificultando a expansão completa dos pulmões. Isso pode levar a uma respiração mais superficial, reduzindo a oxigenação adequada durante o sono, especialmente em pessoas que já possuem problemas respiratórios.
A compressão abdominal também pode interferir na circulação sanguínea, dificultando o retorno venoso e aumentando a sensação de formigamento em braços e pernas. Em alguns casos, essa pressão prolongada favorece inchaços, dormências e desconfortos ao acordar. Para quem sofre de refluxo gastroesofágico, dormir de bruços ainda pode agravar os sintomas, pois aumenta a pressão sobre o estômago.
Pele, articulações e qualidade do sono também são afetadas
Dormir de bruços também pode trazer impactos estéticos e funcionais. O contato direto e prolongado do rosto com o travesseiro favorece o surgimento de marcas na pele, linhas de expressão e até o agravamento da acne, devido ao atrito e ao acúmulo de oleosidade e bactérias no tecido.
As articulações dos ombros, quadris e joelhos também sofrem com a posição, já que ficam em desalinhamento por longos períodos, o que pode provocar inflamações e dores articulares. Com isso, o sono tende a se tornar menos reparador, levando a despertares frequentes e sensação de cansaço ao longo do dia.
Especialistas em saúde do sono recomendam, sempre que possível, priorizar posições mais neutras, como dormir de lado ou de costas, utilizando travesseiros adequados para manter o alinhamento da coluna. Para quem tem dificuldade em abandonar o hábito de dormir de bruços, pequenas adaptações — como travesseiros mais baixos ou apoio sob o abdômen — podem reduzir parte dos danos.
Em resumo, embora pareça inofensivo, dormir de bruços representa riscos reais à saúde e pode comprometer o bem-estar a longo prazo. Ajustar a posição ao dormir é uma medida simples, mas fundamental, para preservar a coluna, melhorar a respiração e garantir noites de sono mais saudáveis.



Publicar comentário