O Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) enfrenta um novo capítulo de desgaste em sua imagem pública após se tornar alvo de uma ofensiva digital organizada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A mobilização ganhou força na última quarta-feira, 17 de dezembro, poucos dias após a emissora receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes durante a inauguração do canal SBT News.
Nas redes sociais, a reação foi imediata. Grupos alinhados ao bolsonarismo passaram a acusar a emissora de ter abandonado uma postura considerada “neutra” ou “conservadora”, passando a tratá-la como alinhada ao governo federal. A estratégia adotada pelos manifestantes foi direcionar a pressão não apenas à emissora, mas principalmente aos seus anunciantes, numa tentativa de causar impacto financeiro direto.

Campanha mira a Havan e tenta forçar retirada de patrocínios do canal
O principal alvo da mobilização passou a ser a Havan, uma das maiores redes de lojas de departamentos do país e anunciante histórica do SBT. A hashtag “HAVAN FORA DO SBT” rapidamente ganhou espaço em plataformas como X (antigo Twitter), Instagram e Facebook, acompanhada de mensagens que incentivam o empresário Luciano Hang a retirar o patrocínio de programas de grande audiência, como o Domingo Legal.
Em publicações que se multiplicaram nas redes, internautas afirmam que deixarão de consumir produtos da Havan enquanto a empresa mantiver vínculos comerciais com a emissora. Algumas mensagens chegaram a assumir tom agressivo, prometendo boicote não apenas ao canal, mas também às lojas físicas e ao e-commerce da rede varejista.
Além disso, parte dos usuários passou a se referir ao SBT de forma irônica como “SPT”, em uma tentativa de associar a emissora diretamente ao Partido dos Trabalhadores (PT). O apelido, embora informal, passou a ser repetido em postagens e comentários, reforçando a narrativa de que a empresa teria “mudado de lado” no cenário político.
Analistas de mídia apontam que esse tipo de campanha tem como objetivo principal gerar instabilidade comercial, criando um ambiente de pressão sobre patrocinadores que dependem do engajamento de públicos ideologicamente mobilizados.
Caso Zezé Di Camargo é resgatado como símbolo da revolta
Com o avanço da mobilização, voltou a circular com força o episódio envolvendo o cantor Zezé Di Camargo, que recentemente solicitou o cancelamento de seu especial de Natal no SBT. Embora o artista não tenha associado oficialmente sua decisão à presença de autoridades políticas no canal, bolsonaristas passaram a usar o gesto como exemplo de resistência.
Para os manifestantes, Zezé representa uma figura pública que teria se recusado a compactuar com a suposta mudança editorial da emissora. O episódio passou a ser citado como argumento para incentivar outros artistas, anunciantes e parceiros comerciais a adotarem postura semelhante.
Esse resgate de episódios anteriores demonstra como a crise atual extrapola um evento isolado e passa a integrar uma narrativa mais ampla de insatisfação política, alimentada por recortes simbólicos e ações individuais amplificadas nas redes sociais.
Silêncio de Luciano Hang aumenta expectativa sobre desdobramentos
No centro da tensão está o empresário Luciano Hang, fundador da Havan, conhecido nacionalmente por seu posicionamento político alinhado ao bolsonarismo e por sua atuação ativa nas redes sociais. Até o momento, Hang não se manifestou publicamente sobre os pedidos para que a empresa rompa relações comerciais com o SBT.
A ausência de posicionamento tem aumentado a expectativa em torno de sua decisão. No mercado publicitário, a avaliação é de que qualquer movimento da Havan terá impacto significativo, tanto para a emissora quanto para o debate público em torno da politização das relações comerciais.
A Havan se destaca como uma das marcas mais reconhecidas do país, com forte presença midiática e alto índice de engajamento digital. Sua permanência ou eventual saída do SBT pode sinalizar caminhos para outros anunciantes, que observam atentamente o desdobramento da crise.



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