O assassinato de Elizângela Santos Oliveira, ocorrido na noite do último domingo (21), chocou moradores do bairro Santa Luzia, em Petrolina, no Sertão pernambucano. A vítima foi morta a golpes de foice pelo próprio marido, Cícero João de Araújo, logo após retornar da igreja evangélica que frequentava. O crime, classificado como feminicídio, ocorreu em via pública e foi presenciado por vizinhos, que relataram momentos de extrema violência e desespero.
Elizângela chegou a ser socorrida e levada ao Hospital Universitário da Univasf, mas não resistiu aos ferimentos. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Petrolina. O autor do crime foi preso em flagrante pela Polícia Militar poucas horas depois.

Ataque ocorreu após vítima retornar da igreja
Segundo relatos de moradores da região, Elizângela se aproximava de casa quando o agressor abriu o portão segurando uma foice e passou a atacá-la de forma repentina. A professora ainda tentou fugir para escapar das agressões, mas foi perseguida pelo marido, que desferiu novos golpes até que ela caísse gravemente ferida.
A cena causou pânico no bairro e levou vizinhos a acionarem imediatamente a polícia e o socorro médico. Apesar da rápida mobilização, os ferimentos foram graves demais. O crime ocorreu em um momento em que a vítima retornava de um culto religioso, o que aumentou ainda mais a comoção entre moradores e membros da igreja frequentada por Elizângela.
Após cometer o ataque, Cícero João de Araújo fugiu do local, levando consigo a arma utilizada no crime. A Polícia Militar iniciou buscas ainda durante a noite, com apoio de informações repassadas pela população.
Ciúmes, drogas e histórico de violência doméstica
De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, o crime teria sido motivado por ciúmes. Durante a apuração inicial, duas testemunhas foram ouvidas e relataram que o agressor era usuário de drogas. Segundo os depoimentos, quando fazia uso de entorpecentes, Cícero apresentava comportamento extremamente agressivo, chegando a ameaçar a esposa e os filhos do casal.
Esses relatos reforçam a suspeita de que Elizângela vivia em um contexto de violência doméstica recorrente, situação comum em casos de feminicídio. As testemunhas afirmaram que episódios de ameaças já haviam ocorrido anteriormente, o que indica um histórico de risco que culminou no desfecho trágico.
O suspeito foi localizado escondido em um terreno baldio na Rua 5, no próprio bairro Santa Luzia. Dois policiais militares que estavam de folga auxiliaram na prisão, que ocorreu sem resistência. Ele foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil, onde a foice utilizada no crime foi apreendida e apresentada junto às testemunhas para os procedimentos legais.
Professora era referência na educação infantil da cidade
Elizângela Santos Oliveira atuava como professora na Creche Nossa Infância Sonho de Criança, localizada no bairro Mandacaru. A morte da educadora provocou forte impacto na comunidade escolar e entre colegas de trabalho, pais e alunos que conviviam diariamente com ela.
Em nota oficial, a Prefeitura de Petrolina, por meio da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte, manifestou profundo pesar pelo falecimento da professora. O comunicado destacou a trajetória de Elizângela, marcada pelo cuidado, dedicação e compromisso com a educação infantil, além da contribuição significativa para a formação e acolhimento de crianças e famílias da rede municipal.
A prefeitura também reforçou o repúdio a toda forma de violência contra a mulher e declarou apoio aos pedidos por justiça, respeito e proteção à vida feminina. O caso reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção à violência doméstica, além de mecanismos de proteção para mulheres em situação de risco.
Enquanto a investigação segue, Petrolina vive dias de luto e indignação. A morte de Elizângela deixa não apenas uma família destruída, mas também um vazio profundo na comunidade escolar e no bairro onde ela vivia, tornando-se mais um símbolo da violência que continua a vitimar mulheres em todo o país.



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