A notícia da morte de um amigo costuma chegar como um choque difícil de assimilar. Em um instante, permanecem as lembranças, as conversas interrompidas e os planos ainda por cumprir; no seguinte, instala-se o silêncio. Foi nesse clima de incredulidade que colegas de profissão e admiradores receberam, nos últimos dias, a confirmação da morte de Leo Blanco, coreógrafo e professor do Dança dos Famosos, encontrado sem vida em sua residência, em Curitiba, na sexta-feira (9). Ele tinha 47 anos. A causa da morte não foi divulgada.
A perda reacendeu debates sobre a valorização da arte, o cuidado com a saúde emocional e o impacto silencioso que a ausência de profissionais sensíveis deixa no meio cultural. Leo era reconhecido não apenas pela técnica apurada, mas pela forma humana e acolhedora com que conduzia seus alunos.

Trajetória marcada pela paixão pela dança
Natural de Cascavel, Leo Blanco descobriu a dança ainda na adolescência, aos 16 anos, e nunca mais se afastou dos palcos e salas de ensaio. Formado em Educação Física, construiu uma carreira sólida ao unir conhecimento técnico, disciplina e emoção — combinação que se tornou sua marca registrada.
Durante o período universitário, coordenou companhias de dança e participou da formação de inúmeros bailarinos. Com o passar dos anos, seu talento ultrapassou os limites dos palcos locais e ganhou projeção nacional, especialmente após integrar o elenco do Dança dos Famosos. No programa, tornou-se parceiro de artistas conhecidos do grande público, como Luísa Sonza, Mariana Xavier e Lucy Ramos.
Colegas descrevem Leo como um profissional dedicado, atento aos detalhes e, sobretudo, generoso. Para muitos participantes, ele era mais do que um coreógrafo: era um incentivador, alguém que sabia reconhecer limites e potencialidades, conduzindo cada apresentação com sensibilidade.
Homenagens emocionadas e lembranças compartilhadas
Após a confirmação da morte, as redes sociais foram tomadas por mensagens de despedida. Entre os primeiros pronunciamentos, a atriz Mariana Xavier emocionou seguidores ao recordar a parceria construída no Dança dos Famosos. Em sua homenagem, ela destacou a doçura e a entrega de Leo, lembrando também que ele enfrentava um quadro de depressão.
Mariana descreveu o coreógrafo como “o melhor parceiro” que poderia ter tido na realização de um sonho profissional, ressaltando a alegria e a cumplicidade que marcaram o trabalho conjunto. Ela também relembrou o último encontro entre os dois, durante o Carnaval de 2025, definido como um momento de leveza e felicidade — lembrança que agora ganha um significado ainda mais profundo.
As mensagens se repetiram entre artistas, alunos e amigos, todos ressaltando a capacidade de Leo de transformar ambientes com sua presença e de criar conexões verdadeiras por meio da arte.
Um legado que vai além dos palcos
Na despedida pública, Mariana Xavier transformou a dor em um alerta coletivo ao escrever: “Cuidem-se! Escutem-se, acolham-se, amem-se.” A frase ganhou repercussão por sintetizar não apenas o luto, mas a necessidade constante de atenção à saúde mental, especialmente em ambientes de alta cobrança como o artístico.
O legado de Leo Blanco permanece vivo nas coreografias, nos ensinamentos e nas histórias compartilhadas por quem conviveu com ele. Mais do que passos bem executados, ele deixou uma forma de olhar para a dança como expressão de afeto, entrega e humanidade.
Em meio à comoção, fica a lembrança de um profissional que fez da arte um espaço de encontro e emoção — e cuja ausência deixa um vazio difícil de preencher.



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